14.12.06

Pastel de belém ou de nata?


Na semana passada meu marido esteve em Portugal, numa cidadezinha chamada Santa Maria da Feira, próxima do Porto. Depois de uma viagem de umas 20 horas, que incluiu atrasos já corriqueiros no Brasil, ele chegou à cidade com fome, o pobre, e foi a um barzinho que tinha ao lado do hotel ver o que conseguiria comer.

Eis que ele pede um pastel de belém, e o aponta na vitrine. Como assim pastel de belém?! Isto é um pastel de nata! Tudo bem, me vê um pastel de nata então, por favor. Sem saber a diferença, ele se deliciou com o doce e ainda teve a coragem de perguntar para a brava senhora qual era a diferença, e nem ela soube responder. Minha avó chamava de pastel de nata, então é pastel de nata.

Coube a mim, portanto, descobrir qual é a diferença das delícias –não que isso importasse tanto na hora de comê-las. Mas, confirmando minhas suspeitas, percebi que são iguais. Apenas os originais, fabricados em Belém, são chamados de pastel de belém. No resto de Portugal eles recebem o nome de pastel de nata.

A história desse pecado em forma de doce é bem interessante. Segundo conta o site da doçaria que o produz desde 1837, no início do século XIX, em Belém, havia uma refinaria de cana-de-açúcar nas proximidades do Mosteiro dos Jeronimos. Com a Revolução Liberal de 1820, todos os conventos de Portugal foram fechados em 1834.

Um homem não identificado do Mosteiro, na tentativa de sobreviver, começou a vender no mesmo local um pastel doce, que logo foi chamado de pastel de belém. Em 1837 começou uma produção maior do doce, cuja receita é mantida secreta até hoje, e onde os pasteizinhos ainda são produzidos artesanalmente.

Mas como sou enxerida, acabei descobrindo uma receita, que se não é a original, está perto. O trabalho é grande, portanto se você está muito atarefado com os preparativos das festas de fim de ano, indico os pastéis do Espírito Santo, um bar ali do Itaim, na Horácio Lafer, 634.

Ingredientes:

Para a massa folhada:

• 1 kg de farinha de trigo
• 1 kg de manteiga amolecida (dividida em 2 blocos de 150 g e 850 g)
• 20 g de sal
• 1/2 litro de água

Para o Recheio:

• 1 litro de creme de leite fresco
• 18 gemas de ovos
• 18 colheres de açúcar


Modo de preparo:


Para a massa folhada:

• Misture a farinha, 150 g de manteiga, o sal e a água em uma batedeira e bata devagar, até formar uma bola;
• Retire, faça uma cruz em cima e guarde na geladeira por 2 horas;
• Abra a massa em cruz e coloque 850 g de manteiga dentro;
• Dobre como se fosse um envelope, dando uma volta simples e uma volta dupla na massa e deixe descansar por 1 hora;
• Dê mais uma volta simples e outra volta dupla na massa e deixe descansar por mais 1 hora antes de usar;
• Coloque em forminhas de empada e deixe descansar por 30 minutos.

Para o recheio:

• Num recipiente coloque primeiro as gemas, depois o açúcar e por último o creme de leite fresco;
• Leve ao fogo e vá mexendo sem parar até ferver;
• Retire do fogo, coloque em uma vasilha e leve à geladeira até a calda ficar cremosa;
• Com o creme encha as forminhas que já estão com a massa e leve ao forno pré-aquecido à 350º;
• Deixe assar até a massa e o creme ficarem dourados.

6 comentários:

Anônimo disse...

Experimente comer um pastel de belem e comparar com um de nata e logo vera que existem diferenças.

Anônimo disse...

Na receita tem que especificar que não é mateiga, mas sim margarina para folhados. Se fizer com manteiga sairá tudo menos massa folhada!!
Existe uma diferença entre o vulgar pastel de nata e o pastel de Belém, embora em Portugal haja casas que confeccionam o pastel de nata tão bom como o de Belém. A diferença do nome é que o de Belém tem marca registada e só os que são feitos na casa dos pasteis de Belém podem ter essa designação. Daí os outros se chamarem "de nata"que tanto quanto sei, nem natas levam, mas sim uma espécie de leite creme.

Anônimo disse...

Os pasteis de nata contêm nata na sua receita e os pasteis de belém têm um ingrediente base diferente que é o ovo.
Logo as diferenças embora não muitas não se pode dizer que sejam iguais.

Anônimo disse...

Que disparate dizer que não se pode fazer massa folhada com manteiga. Não só pode pode, como deve. Pode é ser mais difícil de trabalhar, devido à sua consistência, razão pela qual se deve usar uma manteiga "seca" (nem sempre fácil de obter).

Anônimo disse...

claro que pode fazer massa folhada com manteiga, pois faço assim e fica muito mais gostoso!

Cris Paiva disse...

Claro q pode fazer massa folhada com manteiga. Primeiro q muitos fazem e da certo. Segundo q manteiga é natural, portanto mais saudável q margarina. Se na França se faz com manteiga e dá certo porquê fazer com a margarina???Eu já fiz e deu certo.