25.12.07

Espírito natalino

Eu estou tentando me inspirar. Verdade! Já li sites bonitinhos de gente feliz com o Natal e suas tradições. Já assisti programas culinários inspirados. Já li livros com fotos lindas de pratos fabulosos. Já andei pela cidade vazia e tranqüila. Mas eu não consigo. Não dá. Eu não entrei no clima natalino.

Tudo bem que a anfitriã da festa de Natal na qual eu fui na noite do dia 24 presenteou seus convidados com um bacalhau fabuloso. Postas do peixe foram cozidas no azeite com batatas e tomate. Simples. Suculento. De lamber os dedos. Mas mesmo assim, aquele sentimentozinho de que tudo vai ser melhor, de que a época é de esperança, de que a vida é linda, não apareceu. Estranho, mas o Natal não desperta esse sentimento em mim.

Sou mais daquele tipo ranzinza, que reclama do consumo exagerado, não só das lojas, mas também das luzes de Natal espalhadas pela cidade. Reclamo do trânsito causado pela fila de carros esperando para entrar no estacionamento do shopping, reclamo da praça de alimentação cheia um mês antes do Natal e dos leitores que mesmo na manhã do dia 25 escrevem para dizer que você esqueceu de citar aquele número insignificante.

Sou o tipo de pessoa que perde a paciência com matérias explicando sobre como emagrecer no Natal. "Faça sua ceia light", corte carne, corte carboidrato, corte frutas e sobremesas. Corte os pulsos.

Teve um post no blog do Marcelo Katsuki, no entanto, que me fez ignorar tudo isso e agora só consigo pensar na próxima folga que vou ter para aproveitar um novo restaurante paulistano, o L'Atelier.

Reproduzo aqui uma parte de seu texto: "Afinal, onde você encontraria um 'souflê de vieiras com alho poró e molho champagne' a R$ 29,00 ou ainda 'lagostines sobre flan de abóbora gratinado ao sabayon de champagne' a R$ 39,00? Minha amiga Tereza atesta: "A mesma qualidade de casas como D.O.M. e Carlota mas pela metade do preço". E o chef ratifica: "No ano que vem vou introduzir novidades no cardápio mas os preços continuarão acessíveis, essa é a filosofia da minha cozinha". Sorte a nossa."

Ficou com vontade?! Eu também.

Esse novo ânimo me faz ser complacente com aqueles que até agora só conseguiram arregalar os olhos e soltar alguns suspiros de "que horror..." e passar uma receitinha com cara de natal, mas que é ótima pra qualquer época do ano e pra quando vamos alimentar um batalhão.

Batatas assadas com mel

Ingredientes:
- 2 kg batatas, descascadas e cortas em 4
- 1 kg pastinaca (ou cenouras), descascadas e divididas em 2
- 100 g gordura de ganso (você pode comprar no mercado)
- sal e pimenta moída na hora
- alguns galhos de alecrim, folhas separadas
- um maço pequeno de tomilho fresco, amarrado como um pincel
- 2 cabeças de alho
- mel líquido

Modo de preparo:
Pré-aqueça o forno a 200ºC. Encha sua maior panela com ¾ de água salgada e ferva. Com cuidado coloque as batatas na água e cozinhe por 5 minutos, então acrescente as pastinacas e ferva por mais 2 minutos. Escorra.

Retorne os vegetais para a panela e sacuda um pouco, para "machucar" suas bordas, o que fará com que elas fiquem crocantes quando forem assadas. Adicione a gordura e salgue generosamente. Acrescente a pimenta e os dentes de alho espalhados também. Coloque os legumes em uma assadeira e asse por 30 minutos. Amasse suas folhas de alecrim em um pilão e as acrescente aos legumes 10 minutos depois de eles irem ao forno.

Passados os 30 minutos, tire a assadeira do forno. Sacuda um pouco os legumes e com o pincel de tomilho espalhe o mel sobre o assado. Volte a assadeira ao forno e asse por mais 15 minutos até as batatas estarem crocantes e douradas.

29.11.07

Não se deixe enganar!

Você já se sentiu enganado? Já comprou alguma coisa e ficou frustrado ao recebê-la? Não deve ser tão difícil ter acontecido contigo no mundo capitalista no qual vivemos, onde compras acontecem a todo momento e o que mais importa é faturar.

Outro dia isso aconteceu comigo. Fui para um dos meus programas favoritos de final de tarde de domingo: caça a livros na Livraria Cultura. Como tinha saído de um plantão de 8h, estava com fome. Resolvi então tomar um café e comer um salgado na própria lanchonete da livrara.

Chegando lá vi um pequeno cartaz avisando sobre uma novidade, muffin salgado a R$ 2. Perfeito! Fiz o pedido e aguardei em uma das mesas com vista para a Av. Berrini. Ambiente agradável, silencioso. Eis que chega meu café e o muffin. Muffin? Cadê? Isso? Achei que fosse aquele biscoitinho que acompanha o café. Tem certeza?

Me senti enganada naquele momento. Meu estômago roncou mais um pouco de fome e, de uma só bocada, coloquei o bolinho na boca. O pouco que deu para sentir do sabor, estava gostoso, mas não deu nem pra enganar o paladar, quem dirá a barriga.

É uma vergonha que um estabelecimento qualquer venda aquilo. Ele, no mínimo, tinha que ser dado como brinde para acompanhar o café, já que é do mesmo tamanho do tradicional biscoitinho. Não acredito que tenha sido, mas parece uma atitude de má fé.

Se você ficou com vontade de comer um muffin salgado, recomendo a Starbucks. O bolinho custa caro, R$ 7, mas é gostoso. Agora, se você quer gastar menos que isso e comer oito, aproveite a receita a seguir, que tirei do site da Rita Lobo (que, inclusive, está recomendando o Con Gusto - http://panelinha.ig.com.br/site_novo/blog/indica.php?p=2) e é bem gostosa.

Muffin salgado de queijo e tomate

Ingredientes

- 1 tomate
- 1/2 xícara (chá) de provolone em cubinhos
- 1 ramo de manjericão
- 1/2 xícara (chá) de leite
- 4 colheres (sopa) de manteiga
- 2 ovos
- 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
- 1 xícara (chá) de farinha de trigo integral
- 2 colheres (chá) de fermento
- 1 colher (sopa) de açúcar
- manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar

Modo de Preparo

1. Preaqueça o forno a 180ºC (temperatura média). Unte 8 forminhas individuais de muffins ou de empadinhas com manteiga e polvilhe farinha.

2. Numa tábua, corte o tomate ao meio, retire as sementes e corte-o em cubinhos. Pique as folhas de manjericão.

3. Numa panelinha, junte o leite e o manjericão. Leve ao fogo alto e, quando o leite ferver, desligue o fogo. Acrescente a manteiga imediatamente e mexa bem até derreter. Coloque os ovos e misture bem. Reserve.

4. Numa tigela grande, passe por uma peneira as farinhas, o fermento e o açúcar. Faça um buraco no centro e regue com a mistura de leite e manjericão. Com uma colher, mexa até a farinha absorver todo o líquido. Acrescente o queijo e o tomate em cubinhos.

5. Em cada forminha, coloque 3 colheres (sopa) de massa. Leve ao forno por 25 minutos. Retire os muffins da assadeira e coloque sobre uma grade para esfriar. Sirva morno ou à temperatura ambiente.

27.11.07

Quando o corpo pede

Não sei como é com vocês, mas meu corpo algumas vezes pede por uma comida mais leve, sem muito sal, ou a famosa natureba. Geralmente essa necessidade vem depois de um excesso. Um fim de semana comendo mal, muito lanche, uma comida muito bege.

Comer sob estresse também me leva a querer refeições mais tranqüilas, lentas e pequenas. Se você é um daqueles que costuma comer em frente ao computador, sem nem prestar atenção no que está colocando para dentro, é bom criar momentos de ruptura, levantar da cadeira e comer em outro ambiente.

Por mais balela que possa parecer, comer rápido, sem observar o que se está fazendo, sem escolher a comida, prejudica a digestão, seu corpo não tem tempo para absorver as informações que está recebendo, nem para descansar.

A necessidade de uma comida mais natural, beirando o vegetarianismo, me levou a criar o “dia da limpeza”. É um dia da semana, geralmente a sexta-feira, que eu faço questão de procurar esse alimento restaurador, que parece me limpar dos excessos da semana.

Um dos lugares que procuro para isso é um restaurante japonês, que sempre serve um salmão grelhado, aquele arroz sem sal grudadinho e maravilhoso, tofu, pepino, sushi/sashimi, gengibre e macarrãozinho de arroz.

Outro restaurante é um vegetariano que, mesmo na loucura de um local comercial em São Paulo, conseguiu criar um clima tranqüilo, com som de pássaros e água, e com uma comida bem simples e “da terra”. Outro dia, por exemplo, comi uma esfiha de abóbora com ricota bem interessante, e almôndegas de soja picante que atiçam o paladar. Um chá na saída também é sempre muito bem-vindo.

Se você também é adepto do “dia da limpeza”, ou se gostou da idéia e quer tentar, não precisa necessariamente buscar um restaurante. É possível, e bem fácil, reproduzir essa comidinha em casa, e também o ambiente. Desligar a televisão ao se sentar à mesa, colocar uma música que lhe agrada aos ouvidos e se sentir confortável ajuda muito.

Segue uma receita de uma espécie de ensopado com leite de coco, ou curry indiano. Dose o sal de acordo com seu gosto, mas não exagere. Se achar meio sem graça, use mais temperos como cominho e coentro. Coma acompanhado de um arroz integral com sementes de linhaça. Você vai ver que sua digestão será bem mais fácil.

Curry de legumes

Ingredientes:

-1kg de legumes variados picados no tamanho de uma mordida (cenoura, vagem, abobrinha, brócolis, batata doce, couve-flor...)
- 400 ml de leite de coco
- 1 col. sobremesa de cominho moído
- 1 col. sobremesa de coentro moído
- 1 col. sobremesa de cúrcuma
- 1 cebola picadinha
- 2 dentes de alho picadinhos
- 1 pedaço de mais ou menos 5 cm de gengibre picadinho
-1 pimenta verde sem sementes
- 3 col sopa de coentro fresco picado
- azeite
- sal

Modo de preparo:

- Pique cebola, pimenta, gengibre e alho. Muito bem picado. Se preferir, passe tudo pelo processador até virar uma pasta. Refogue no azeite em fogo médio.
- Quando perfumar, junte o coentro, o cominho e a cúrcuma
- Espere perfumar mais uma vez. Junte os legumes escolhidos picados em tamanhos de uma mordida
- Misture bem e deixe refogar por uns 3 minutos, para os legumes absorverem os temperos
- Junte o leite de coco, baixe o fogo, tampe a panela e cozinhe até que os legumes estejam macios. Se sentir que está secando, acrescente um pouco de água.
- Salgue e coloque o coentro fresco por cima

24.10.07

Uma idéia pra variar

O aspargo é um ingrediente recorrente nas receitas "gringas", especialmente dos chefs europeus. Eles parecem se deliciar quando é época do vegetal e mostram em seus programas as feiras de rua repletas de tubinhos verdes e pontudos.

Muitos nos ensinam a escolher os melhores: eles não podem ter flores ou brotos, devem ter uma cor verde uniforme e estarem firmes. Os menores são os mais saborosos.

Mas aí eu pergunto, de que adianta isso para os brasileiros? Sempre foi bastante complicado (e caro) encontrar bons aspargos frescos em nossos mercados e feiras, e os enlatados não nos servem para muitos pratos, são amarelos, opacos e pouco apetitosos.

São Paulo, no entanto, é uma cidade maravilhosa. Se você procura, é bastante fácil fazer descobertas que podem mudar sua vida - de certa maneira.

Assunto recorrente, o bairro da Liberdade mais uma vez salta na sua frente e te faz parar. É muito fácil encontrar em seus mercadinhos maços de aspargos frescos bem bonitos, verdinhos e arrumadinhos em prateleiras refrigeradas ou mesmo em caixotes na calçada. E o melhor, com bons preços.

É verdade que a maioria dos sacolões chiques de bairro já vende o vegetal fresco, mas nem sempre eles estão bonitos e podem chegar a custar 40% mais caro.

De uma forma, ou de outra, a receita abaixo deverá te inspirar para comprar o aspargo, seja no mercado chique, seja em uma lojinha da Liberdade. O importante é que os ingredientes sejam bons e bem manipulados.

Com o calor que se anuncia para o final deste ano, este risoto é uma opção bastante refrescante e que não deixa peso na consciência. Saudável e bonito, ele é muito convidativo para um almoço no jardim.

Risoto de aspargos, ervilhas e hortelã

Ingredientes:

455g de aspargos (Apare os aspargos desde a ponta até a base. Remova a base do talo e descarte. Corte as pontas e deixe-as de molho em água com sal até ficarem macias. Pique os talos grosseiramente)
340g de ervilhas frescas ou congeladas (Deixe as ervilhas (frescas) de molho na água -desta vez sem sal- até ficarem tenras)
1 punhado de hortelã fresca sem talo e bem picada
1L de caldo de galinha
1 col. (sopa) de azeite
2 cebolas bem picadinhas
½ cabeça de salsão bem picada
2 dentes de alho bem picados
400 g de arroz arbóreo
100 ml de vinho branco
70g de manteiga
100 g de parmesão

Modo de Preparo:

Esquente o caldo.
Em outra panela aqueça o azeite e refogue a cebola, o salsão e uma pitada de sal. Deixe uns 3 minutos e acrescente o alho. Mexa e deixe mais uns 2 minutos. Quando tudo estiver tenro, acrescente o arroz e mexa constantemente, mas devagar. Não saia de perto da panela. Se perceber que está muito quente, abaixe o fogo.

O arroz vai começar a ficar transparente. Quando isso acontecer, acrescente o vinho e deixe evaporar. O perfume é ótimo!

Agora acrescente os talos dos aspargos e metade das ervilhas. Coloque a primeira concha de caldo quente. Misture lentamente. Acrescente um pouco de sal. Vá acrescentando caldo conforme ele for secando, mexendo para ele ser incorporado ao arroz. Vá testando o sal no decorrer do cozimento (não se esqueça que ainda vai parmesão na receita).

Quando o arroz estiver cozido, mas ainda com uma leve consistência, desligue o fogo. Acrescente as pontas de aspargos, o restante das ervilhas e a hortelã. Adicione ainda a manteiga e metade do parmesão. Misture. Perceba como a manteiga dá brilho ao risoto. Sirva imediatamente salpicado com o restante do parmesão ralado.

3.10.07

Tem situações na vida que realmente não têm preço. Parece frase feita e chega até a ser brega, mas é verdade. Outro dia, uma amiga que está morando em Londres enviou umas fotos de um esquilinho que apareceu em seu quintal. Ele comeu algumas nozes e se mandou. A cena despertou em mim a mesma sensação de quando a natureza interrompe o meu dia como se falasse para eu parar um pouco e respirar.

Na correria da manhã, por exemplo, não tem nada melhor que tomar café sentada, ouvindo os passarinhos cantarem no jardim. Dá até para saber se está acontecendo alguma coisa errada com eles, pela intensidade e ritmo dos assobios.

Passar de carro ou ônibus por uma árvore muito florida e torcer o pescoço para olhar para ela por mais tempo, ou observar uma flor que cai do galho como se fosse um sino e que você nunca tinha reparado que estava ali, também são momentos que me fazem ganhar o dia.

O melhor de tudo é que essas "vitórias" vêm de coisas pequenas, frutos de nossos esforços. Ver que seu bolo cresceu e se manteve cheio depois de frio é uma conquista. Transformar aquela fruta bonita e suculenta em geléia e passá-la sobre um pão fresco, recém saído do forno é outra.

Mas não é preciso nem mesmo cozinhar para sentir os prazeres da mesa e interromper o dia com um suspiro. Ali na Bela Cintra tem uma padaria minúscula, mas sofisticada, que faz uma fornada por dia. Se você chegar no fim da tarde, corre o risco de não ter quase nada para comer. Há pães, bolos e salgados de derreter na boca. O nome é P.A.O. (Padaria Artesanal Orgânica). Prove o pão de azeitonas e azeite. Você não vai querer parar de comer.

Depois, inspirado, vá para casa e tente fazer um de sua preferência. Quando ele sair fumegando do forno, coma uma fatia com uma manteiga aromática por cima e outra com uma geléia de jabuticaba, aproveitando a época. Pare, respire. Você acabou de ganhar o dia.

Geléia de jabuticaba

Ingredientes:
- quanto baste de jabuticaba
- quanto baste de açúcar
- 1 litro(s) de água

Modo de preparo:

Coloque as jabuticabas em uma tigela e amasse bem com as mãos ou com um pilão. Leve ao fogo numa panela grande, com um pouco de água. Deixe que cozinhem até que estejam macias. Passe numa peneira, para obter um purê das jabuticabas. Descarte os caroços e partes mais duras que não consiga fazer passar pela peneira.

Meça a quantidade de massa por xícaras ou copos. Volte a massa à panela, junte açúcar (para cada medida de purê de jabuticaba, coloque uma igual de açúcar). Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar. Coloque em vidros esterilizados e deixe 10 minutos em banho-maria, depois de tampá-los.

22.9.07

Hamburguer diferente?

O grande problema de um restaurante pode ser a expectativa que se cria em torno dele, e acho que o caso do B&B Burguer & Bistrô, é exatamente este. Depois de tanto ler a respeito de seus fantásticos e criativos lanches, com cara de gourmand, fui finalmente e com água na boca visitá-lo.

A hostess bonita e simpática é um bom presságio. O clima criado com a decoração diz que lá só se serve comida de primeira, requintada e cara. A mesa, apertadinha, recebe um igualmente pequeno vaso com uma única flor, e nas paredes quadros devidamente iluminados também dão um clima floral.

O cardápio, no entanto, tem o poder de quebrar essa atmosfera. Depois de tanto ouvir sobre os famosos lanches, nenhuma novidade. Cogumelo, queijo, pimenta, salmão, atum, opa, foie gras! Algo diferente. Mas pára por aí. Os lanches, com ou sem pão, não chegam a surpreender, nem a atiçar o apetite.

Apesar da falta de criatividade na elaboração do cardápio, a qualidade dos pratos é inegável. O hambúrguer vem no ponto certo e o garçom faz questão de avisar que o interior é rosado. Sobre uma cama de batatas, o prato -que não chega a ser um lanche- vem com um molho de queijo bastante suave, em perfeita combinação com as ervas da carne.

O prato com cogumelos também tem os sabores bem balanceados e a carne, mais uma vez, perfeita. O molho não sobrepõe o tempero da carne e permite que se sinta o gosto do fungo. O hambúrguer mais uma vez vem sobre uma cama de batatas.

O preço por cada prato é alto, aproximadamente R$ 30. Já o couvert é mais em conta, R$ 7 por pessoa. São servidos cinco molhinhos (azeite com pimenta, patê de fígado, chutney de manga, cream cheese e manteiga aromatizada) e alguns pãezinhos que, apesar da bonita apresentação, não pareciam frescos.

O atendimento é eficiente. Até demais. Os garçons não te dão muito tempo para reagir. Anotam o pedido e se mandam, literalmente. Na saída, recolhem o pagamento e? Somem. Nem um "Obrigado, volte sempre". Nada.

No geral, não classificaria a experiência como negativa, mas poderia dizer que ela foi frustrante. Se você está em busca de um lanche, não é lá o lugar.

31.8.07

Finger food

O finger food agora é moda e parece ter chegado para ficar um bom tempo. A comida, servida aos bocados, ganhou ares de requinte e virou cozinha descolada, de gente moderna. É como se o coquetel deixasse de ser careta, já que costumava ser visto como comida corporativa.

Muitos dos buffets responsáveis por eventos sociais e empresariais no Brasil já se adaptaram à nova moda e adotaram o finger food como carro chefe. Eles são capazes de realizar um jantar inteiro com cumbuquinhas, permitindo que as pessoas comam em pé, sem o uso de uma faca.

A moda se espalhou há alguns anos, impulsionada pelo sucesso de Ferran Adrià, que começou a se destacar no cenário internacional com suas criações inovadoras. Os privilegiados que degustam um menu em seu restaurante, o El Bulli, são servidos com inúmeros pequenos pratos, todos eles em louças criadas para potencializar o efeito da comida.

Muito popular em festas, o finger food tem como característica recipientes que facilitam o ato de comer com as mãos de forma civilizada. Ao invés do guardanapo, que limita o tipo de comida a ser servida, usa-se agora cumbucas, xícaras e até colheres, possibilitando que pratos mais "molhados" sejam comidos sem talheres.

Esses recipientes são um trunfo não apenas para diversificar o cardápio, mas também o visual de uma festa. Dependendo do designe escolhido, é o clima que o evento terá, servindo, inclusive, como decoração.

Promover sozinho em casa uma festa "tipo finger food" não é tarefa fácil. Nem todos os pratos podem ser feitos com antecedência e dificilmente você terá louça para atender a todos com a freqüência adequada. No entanto, é possível se inspirar na nova moda para diversificar um pouco o visual das suas festas.

Em uma reunião informal, é possível preparar minihamburguers , que dispostos de forma linear em um recipiente raso e colorido enchem os olhos e a boca de vontade.

Segue uma receita de hambuguer de peru, carne pouco usada pelos brasileiros.

Ingredientes:

- 2 fatias de pão de forma
- 30g de carne de peru moída
- 55g de queijo cheddar ralado
- ½ cebola picada finamente
- sal e pimenta
- alface, tomate, ketchup, mostarda
- 1col. (sopa) de azeite
- Mini pão de hambuguer (hoje é possível encontrá-los coloridos também)


Modo de preparo:

- Em um processador transforme o pão de forma em uma farinha
- Em uma travessa junte a farinha, o peru, o queijo e a cebola. Tempere com sal e pimenta e misture tudo muito bem.
- Use uma concha de sorvete para pegar a massa, que ficará redondinha. Depois é só achatá-la com as mãos para formar o hambuguer.
- Esquente o azeite em uma frigideira antiaderente e refogue os minihamburguers até cozinharem por completo
- Monte os lanches com os pães, alface, tomate, ketchup e mostarda, ou qualquer outro ingrediente que te apeteça

23.8.07

Light, diet "zero açúcar"

Começar uma dieta é sempre muito difícil. Acho que a parte mais difícil do regime, pra falar a verdade. Você precisa ter coragem pra, de uma hora para a outra, diminuir drasticamente a quantidade de comida e, muitas vezes, o que você come.

Você vai ao médico, pega o cardápio, lê as restrições e fala: "Ok, dá pra fazer". Mas aí no dia-a-dia percebe que as coisas não são assim tão simples (ou saborosas). Tudo bem que tomar leite desnatado ou usar uma geléia, requeijão ou margarina light não são grandes problemas. Hoje em dia os produtos diet, light, "zero açúcar" já não têm um gosto tão alterado.

O problema chega quando você "pode comer quanto alface quiser", mas com duas gotas de azeite, apenas, sem sal, sem nada. Por mais que você goste de alface, a seco não dá, né? Peito de frango é outra coisa que pede um tempero, e olha que toda dieta tem esse ingrediente em profusão.

O ideal para conseguir seguir uma dieta é ser criativo. Passada essa primeira fase, seu corpo se acostuma com a quantidade menor de comida e nem pede por mais. Deixar o prato com cara de apetitoso também é fundamental. Não adianta se enganar, você estará fazendo um sacrifício e cada refeição terá um valor incalculável. Então a transforme em algo especial.

Se no cardápio do almoço de hoje tem salada de alface, palmito e tomate cereja, você pode pegar o tomate e esmagá-lo sobre a alface, usando sua própria água como tempero. Coloque também ervas frescas picadas, elas não vão interferir na balança de calorias e com certeza darão sabor à salada.

Já se em outra refeição você tem permissão de comer berinjela assada recheada com carne moída, tempere a carne com garam masala, ou curry com um toque de canela. Também não vai contar pontos e terá algo diferente, que estimula o paladar e leva sensação de satisfação para o cérebro.

O café da manhã é uma fatia de melão? Pique hortelã em cima para dar mais graça. À tarde você pode comer um pedaço de mamão? Pingue algumas gotas de limão em cima e você terá um gosto bem diferente do comum. Variar e inventar são a chave do segredo para essas ocasiões.

Abaixo coloco uma receita de granola feita em casa, pra comer com iogurte (desnatado!):

Ingredientes:

-1/3 xíc de xarope de arroz (ou milho)
- 2 col. (sopa) de óleo
- ¾ xíc. de açúcar mascavo
- 2 xíc. de amendoim
- 4 e ½ xíc de aveia em flocos (não pode ser a instantânea para fazer mingau)
- 1 xíc. de semente de girassol
- ¾ xíc. de gergelim
- ¾ xíc. de creme de maça (serve aquela papinha de bebê)
- ¼ xíc. de cacau
- 1 pitada de gengibre em pó
- 2 col. (chá) de canela em pó
- ¼ xíc. de mel
- 1 col. (chá) de sal

Modo de preparo:

- Junte todos os ingredientes muito bem
- Espalhe tudo em uma forma e leve ao forno pré-aquecido a 150ºC por uns 40 min. Deixe a mistura secar, mas tome cuidado para não queimar.
- Quebre as partes que ficarem juntas e guarde em um pote hermético

22.8.07

É da estação

No Brasil, as estações do ano não são tão claras quanto em alguns outros lugares do mundo. Agora, por exemplo, estamos no inverno, mas podemos encontrar lindas árvores com flores bastante coloridas espalhadas por aí.

Já nos Estados Unidos, ou na Europa, as pessoas costumam comemorar bastante a primavera e o verão. A aparência das cidades muda radicalmente e o homem se assemelha muito ao animal, saindo de sua toca e indo para o sol, para "lagartear".

Talvez por esse motivo não é muito comum ver donas de casa nos mercados daqui procurando frutas e legumes da estação. Elas os acabam comprando porque invariavelmente o preço é menor e os produtos são melhores, mas nem sempre têm consciência disso.

Lembrei do assunto porque na edição desta quarta-feira do New York Times tem uma matéria-exaltação ao tomate de verão. A repórter, Melissa Clark, fala da suculência, fragrância, cor e abundância dos tomates no verão.

Com uma sacola dos vermelinhos em casa, ela começa a elencar suas receitas favoritas com a fruta. Isso me fez lembrar de uma entrada que sempre faz bastante sucesso, a bruschetta de tomate. Além de dar um prato lindo, elas são deliciosas e dão uma bela início para um jantarzinho mediterrâneo, ou para um coquetel mais simples.

É preciso um mínimo de paciência para montá-las, mas as operações são extremamente simples. Um charme adicional fica por conta de pequenas folhas de manjericão, que são colocadas no topo da pilha de tomates. Fica lindo em uma travessa colorida.

Segue a minha receita, que não tem medidas, só ingredientes. Ela fica muito mais gostosa quando o pão está aquecido, mas o tomate firme e frio.

Ingredientes

- baguete de pão italiano de boa qualidade o quanto baste
- tomate suficiente para cobrir todo o pão
- sal grosso
- pimenta-do-reino
- uma folha pequena de manjericão para cada bruschetta
- alho
- azeite

Modo de Preparo:

- Corte o pão italiano em fatias
- Esfregue um dente de alho em cada uma e as pincele com azeite. Leve ao forno para amornar
- Pique o tomate em cubos pequenos
- Pique o alho bem miudinho (o alho vai muito de gosto, mas dá um charme todo especial)
- Tempere os tomates com o alho picadinho, o sal grosso moído na hora e a pimenta, também moída na hora
- Regue a mistura com um bom azeite
- Prove a mistura e acerte o tempero que precisar
- Quando as fatias de pão estiverem mornas, retire-as do forno
- Coloque um pouco do tomate em cada fatia e complete com uma folha de manjericão. Muito charmoso!

21.8.07

O pecado do microondas

Uma das coisas mais frustrantes quando você chega a um café e pede um salgado - uma esfiha, um pão de batata, ou até um folhado - é ver a atendente colocá-lo no microondas. O que antes era fresco, perto do crocante por fora e macio por dentro, se transforma em borracha com um recheio derretido e, na maioria das vezes, pelando.

Infelizmente a prática é bastante comum em São Paulo, especialmente naqueles cafés que prezam pelo volume de venda, deixando de lado a qualidade. Seus clientes, na maior parte do tempo, só querem matar a fome quando não dá para almoçar, ou antes de enfrentar duas horas de trânsito até chegar em casa.

Quando você for comer em um estabelecimento do tipo é só dar uma espiada atrás do balcão. Tem microondas? Então caia fora. Nem mesmo o pão de queijo foge da tortura do aquecimento inadequado.

Um salgado, para ser gostoso e satisfazer além de um simples preenchimento da barriga, tem que ter uma massa recém saída do forno, que oferece uma certa resistência ao ser mordida, e que revela um recheio ainda firme - e não desmanchando.

Dentro do salgado você pode encontrar desde calabresa até verduras. O meu salgado preferido é a boa e velha coxinha. Mas não qualquer coxinha. Tem que ser a da padaria Real, que fica na cidade interiorana de Sorocaba. Ela é perfeita e teimo em dizer que é a melhor do país.

A massa fina acompanha o "crocante por fora e macio por dentro" que todo mundo almeja. Bem temperada, ela dá espaço para um recheio de frango com catupiry no ponto certo, nem muito, nem pouco dos dois.

Das cadeias maiores, que já inundam São Paulo, eu gosto do folhado de queijo branco do Uno & Due. Quando bem feito, o queijo transborda depois de ir ao forno, mas não fica borrachudo. Bem temperado, ele cria aquela casquinha gostosa em contato com a forma.

Tem gente que gosta bastante daquele pão de queijo da Galeria dos Pães. Ele é enorme e exatamente por isso acho que fica muito massudo. Prefiro os menores, como os da Casa do Pão de Queijo. Completando as cadeias grandes, tem o muffin salgado da Starbucks, que é bem gostosinho, apesar do preço exorbitante.

Pra fazer em casa, gosto de esfihas. O cheirinho delas assando é muito bom para abrir o apetite e combina com uma sessão de filme, ou com um lanche da tarde. Segue uma receita do restaurante Arábia, meu lugar preferido para comer esfihas (tirando a casa de um amigo, cuja mãe faz as melhores que já provei).

Ingredientes

Massa

30g de fermento biológico
500 ml de água
3 colheres (sopa) de açúcar
1/2 colher (sopa) de sal
2 colheres (sopa) de óleo
1 kg de farinha de trigo
1 xícara (chá) de fubá de milho
óleo para untar

Recheio

500g de carne gorda moída (capa de filet)
2 tomates vermelhos picados
1/2 cebola média picada
1/2 xícara (chá) de salsinha picada
1/2 xícara (chá) de coalhada
1/2 xícara (chá) de tahine (sementes de gergelim esmagadas e transformadas em pasta)
1 colher (chá) de pimenta síria
1 colher (chá) de pimenta-do-reino moída na hora
1/4 de xícara (chá)de suco de limão
1/2 xícara (chá) de snoobar (pinoli)

Modo de preparo

Massa

Dilua o fermento na água e acrescente o açúcar, o sal e o óleo. Junte a farinha aos poucos e misture continuamente, com as mãos, batendo até a massa ficar homogênea. Cubra com um pano de prato umedecido e deixe descansar por 5 minutos. Amasse novamente, faça pequenas bolinhas , do tamanho de uma noz, passe uma a uma no fubá e cubra mais uma vez com um pano de prato umedecido para a massa não ressecar. Em uma assadeira untada com óleo , disponha as bolinhas de massa, deixando um bom espaço entre elas. Abra uma a uma com a ponta dos dedos, deixando as bordas mais grossas que o centro.

Recheio

Misture bem todos os ingredientes.

Finalização

Coloque duas colheres (sopa) do recheio no centro de cada esfiha. Abra mais a massa, espalhando o recheio com os dedos até obter o formato de um disco, deixando aparecer somente a borda da massa.
Distribua o snoobar sobre as esfihas e deixe descansar por 20 minutos. Leve ao forno preaquecido a 300ºC por cerca de 8 minutos ou até corar.

20.8.07

Sem mais palavras

Chocolate não precisa de apresentação, explicação ou propaganda. Conheço apenas duas, ou três pessoas que não gostam, mas mesmo assim dão aquela beliscadinha quando tem uma sobremesa à base do dito cujo.

Partindo desse pressuposto, mando direto uma receita que deve interessar a muitas pessoas.

Cheesecake de chocolate

Ingredientes:
Para a massa:
125g de bolacha integral
1 col. (sopa) de cacau em pó
55g de manteiga

Para o recheio:
500g de cream cheese em temperatura ambiente
2/3 xíc. de açúcar
1 col. (sopa) de amido de milho
1 col. (sopa) de essência de baunilha
3 ovos
3 gemas
¾ xíc. de sour cream
1 col. (sopa) de cacau dissolvido em 1 col. (sopa) de água quente
175g de chocolate derretido

Modo de preparo

Massa:
Misture todos os ingredientes na batedeira até virar uma farofa úmida.
Forre uma forma de fundo removível para evitar que entre água na massa
Molde na forma com as mãos e coloque no freezer

Recheio:
Bata o cream cheese rapidamente na batedeira
Misture os demais ingredientes, menos o chocolate derretido, ao cream cheese
Agora misture o chocolate derretido, com cuidado
Coloque o recheio sobre a massa que estava no freezer
Leve a forma para o forno a 180ºC em banho-maria
Estará pronto quando firmar o recheio

15.8.07

Um olhar sobre a rotina

Depois de férias merecidas e bem aproveitadas, retorno à minha rotina de carros de corrida, ginástica, cozinha prática e trânsito. Parece desanimador, mas tenho aprendido que tudo na vida depende de nossos olhos.

Incrementar a rotina sem inventar mais trabalho não é tarefa simples, mas criar certos hábitos pode ajudar. Você quer ter ervas frescas em um cantinho da casa? Bom, precisará regá-las (pelo menos). Comprar um regador que comporte a quantidade necessária para molhar todas de uma só vez é meio caminho andado. Pela manhã, quando estiver com a xícara de café na mão olhando para o nada pela janela (como numa propaganda de margarina) aproveite para regar seu jardinzinho.

Quer deixar a casa perfumada sem ter que apelar para aqueles produtos que espirram um cheiro de desinfetante, ou perfume barato, de meia em meia hora? Compre flores. Os lírios, quando abertos, exalam um perfume sedutor, que te faz dar uma paradinha só pra cheirar mais de perto. Fora o visual. As plantas são enfeites naturais que alegram e dão charme a qualquer ambiente.

Pode parecer pouco para dar um estímulo a mais no seu dia-a-dia, mas espera até você colher o primeiro galho de alecrim para temperar aquele bifinho básico que está fazendo para o jantar. Só de mexer no jardim de ervas você será incitado com os aromas que saem de cada pé plantado com suas próprias mãos.

As flores também fazem diferença para o humor diário. Não precisa ser nada grandioso, nenhum buquê. Basta uma garrafa velha de água, ou azeite, bem bonitinha, com um botão de gérbera para enfeitar a mesa. No café da manhã, ou no jantar tardio, elas sempre trazem uma graça a mais.

Para quem mora sozinho, é ainda mais importante esse tipo de mimo, que evita que a casa fique desleixada e as refeições existam só para matar a fome. Sou daquelas que acredita que nossa casa não é um hotel, onde vamos só para dormir e tomar um banho quente. Acredito mais no conceito de lar e faço o que for necessário para deixar o meu o mais aconchegante possível.

Abaixo segue uma receita que você pode usar nas três principais refeições do dia. É uma omelete bem leve e delicada, que acompanha bem tanto torradas com uma boa manteiga, quanto uma saladinha verde bem temperada.

Ingredientes:

-2 ovos por pessoa em temperatura ambiente
-4 cogumelos de Paris, para cada ovo
-Tomilho e sálvia
-1 col. (chá) de azeite
-Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:

-Em uma vasilha bata os ovos temperados com sal, pimenta-do-reino e o tomilho
-Pique os cogumelos em lâminas finas
-Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio, com o azeite. Quando estiver bem quente, coloque as lâminas de champignon e as folhas de sálvia, tempere a gosto com sal e pimenta-do-reino. Mexa sempre para que fritem uniformemente e, quando dourarem, retire da frigideira
-Coloque as lâminas em cima do papel-toalha, para absorver o excesso de gordura;
-Elimine o excesso de óleo da frigideira e coloque-a no fogo médio, quando ela estiver novamente bem quente, despeje os ovos batidos de uma só vez;
-Com a mesma espátula, junte o ovo coagulado no meio da frigideira, deixando, assim, espaço para o ovo líquido. Faça esse movimento sem parar, até chegar ao ponto que deseja, mas atente para que a omelete não seque, é importante deixá-la molhadinha
-Quando estiver no ponto desejado, coloque no meio os champignons e a sálvia, e dobre ao meio, formando uma meia lua.

31.7.07

Um pulo em Minas Gerais

Eu adoro Minas Gerais! É um estado gostoso, aconchegante, acolhedor!! Pra mim, pensar em Minas é pensar em vida boa, em vida como ela deve ser vivida.

É verdade, eu posso estar idealizando, já que só passei por lá de férias. Mas eu não me importo. Quero continuar tendo essa sensação de que Minas sempre estará lá para quando eu quiser sossego, pra quando eu quiser ficar comigo mesma.

Pra quem não conhece Minas, uma boa oportunidade aparece agora, com o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Uma cidadezinha linda, que parece ter saído de um livro de contos de fada, toda pintadinha, com obras de arte e artesanato por todo canto, com cavalos andando pela rua e pessoas de bem com a vida vendo o tempo passar.

O festival acontece entre os dias 17 e 26 de agosto e o tema deste ano é "A História da Gastronomia". A cozinha catalã será homenageada e uma mistura com a comida mineira inevitável.

Além dos restaurantes e hotéis que estarão servindo jantares especiais, os melhores bares de Belo Horizonte estarão na cidade. O Largo das Forras receberá os estabelecimentos vencedores do festival realizado na capital mineira, levando seus pratos escolhidos no "Comida di Buteco".

Para aqueles que não poderão ir, ou para aqueles que já querem entrar no clima de Minas, segue uma receitinha de frango com quiabo, feita no restaurante Dona Lucinha.

Frango com quiabo

Ingredientes:
- 1 col. (sopa) de óleo de urucum
- 1 col. (sopa) de alho picado(s)
- quanto baste de sal
- ½ xíc. de suco de limão
- 2 cebolas
- 300 gr. de quiabo jovem
- 1 kg de pedaços de frango
- 1 talo de salsinha picada
- 1 talo de cebolinha verde picado
- 1 folha de louro
- 1 xíc. (chá) de banha (ou azeite)
- quanto baste de água

Modo de preparo:
Lave o frango, corte nas juntas e afervente levemente com água e limão. Escorra, lave e reserve.
Em uma panela, aqueça a banha, o sal com alho, deixe alourar; junte o frango, deixe fritar levemente, escorra o excesso de gordura, acrescente o urucum, misture bem. Pingue água aos poucos, deixe suar e junte a salsinha e a cebolinha verde, as cebolas inteiras, o louro, tampe para manter um bom caldo. Acerte o tempero e mantenha tampado para cozinhar bem.

À parte, lave e seque os quiabos novos e tenros. Retire as pontas e os pés, pique em rodelas e agregue ao frango. Não mexa. Tampe por alguns minutos. Verifique se os quiabos estão macios. Retire do fogo e sirva com arroz, angu e couve.

25.7.07

Digo não ao radicalismo


É cada vez mais comum eu ler matérias, especialmente na imprensa norte-americana, sobre a mudança no modo como os animais para abate são criados, alimentados e sacrificados. Sobre como cada vez mais estados estão proibindo a venda de foie gras e até de vitela.

Nos Estados Unidos, muito mais que aqui no Brasil, os ativistas ecológicos e dos direitos dos animais têm demonstrado cada vez mais força e alcançado cada vez mais objetivos.

Nesta quarta-feira, o jornal New York Times publicou uma matéria falando como esses ativistas perceberam que ao invés de "endemonizar" os criadores de animais e as pessoas que consomem carne, era mais fácil e eficiente organizar orçamentos viáveis, fazer política de influência e eleger dirigentes que lutassem pelas mesmas causas, com foco deliberado nas fazendas.

Um dos principais grupos que luta pelos direitos dos animais, proprietário da Fazenda Santuário, tem adotado, nos últimos anos, táticas mais sutis, como comprar ações de grandes corporações de alimentos, organizar campanhas políticas inteligentes e fazer lobby com legisladores.

Ao invés de criticar quem come carne, eles começaram a fazer campanhas pelo tratamento adequado dos animais. Tática mais inteligente, penso eu. Mesmo que achem os carnívoros seres de outro mundo, maldosos, que pelo menos comam carne de um animal que viveu bem.

Tenho uma amiga que fica extremamente irritada quando vegetarianos tentam "convertê-la". Ela é uma das pessoas mais carnívoras que conheço, e usa como argumento que está no topo da cadeia alimentar. É fácil perceber que ela não vai deixar de comer carne, mas certamente vai preferir uma galinha que ficou ciscando pelo terreno, não apenas porque ela "viveu melhor", mas porque a carne é mais saudável e mais saborosa.

É nítida a diferença entre um ovo de grandes granjas e um caipira. A gema do primeiro é amarela clara, opaca, enquanto do caipira é menor, laranja quase vermelha (quando não é vermelha mesmo) e brilhante. Aí você pensa: se com o ovo é assim, imagina com a carne do animal.

"Ao invés de dizer as coisas do jeito que elas são mesmo, aprendemos a apresentá-las de uma forma mais moderada", disse Baur, um ativista vegetariano, para o New York Times. "Quando diz respeito ao ideal vegetariano, é uma aspiração. Se eu amaria que todos fossem vegetarianos? Sim. Mas queremos ser respeitosos, e não críticos."

Se esse for o espírito, provavelmente será mais fácil atrair mais ativistas, mais pessoas que vão optar pela carne orgânica e pelo ovo caipira. E aí talvez seja o início do círculo. Com mais pessoas optando pelo orgânico e ecologicamente correto, mais será produzido, menor será o preço, e do diferenciado, esses produtos passarão ao comum.

Radicalismos como "diga não ao mel e ao iogurte" porque são fruto da exploração animal, não vão levar essas crenças a lugar algum. Na verdade atraem mais pessoas contra, porque quem quer ser acusado de maltratar animaizinhos quando está comendo um iogurte com mel no café da manhã, tentando ser saudável?!

Sim, nós estamos no topo da cadeia alimentar (por enquanto, pelo menos) e sim, podemos tratar melhor os animais, pelo bem deles, e pelo nosso. Você pode não querer viver apenas de alimentos que caiam do pé, e por outro lado não comer soja porque ela está acabando com as florestas do nosso país. Você pode achar a carne de vitela a mais gostosa que já provou e não resistir a um bom frango à passarinho. Fazendo com respeito à natureza, aos animais e também aos seres humanos, ninguém sai perdendo.

23.7.07

Caldo, o essencial

Certa vez eu dei uma receita aqui de uma sopa de milho da Kylie Kwong. Eu continuo achando que ela é uma das melhores que já provei, com sabores complexos e ainda assim complementares. Na minha opinião, para uma sopa assim dar certo, no entanto, é extremamente importante que o caldo usado seja "de verdade", e não uma simples água com um cubinho de caldo Knorr dissolvido.

Posso ser taxada de chata, fresca, o que for, mas não curto usar nenhum tempero que é comprado pronto. Desde cubinhos de "caldo de galinha", a tempero de miojo, cubos de sal para dar um "tok", ou aqueles que dizem ter um sabor caseiro. Dê uma olhada nos ingredientes, eu não achei nada "caseiro": sal, gordura vegetal, farinha de milho desgerminada, cebola, noz-moscada, extrato oleoso de urucum, salsa, extrato de carne e amidomodificado.

Se você fizer um caldo para uma sopa, por exemplo, usando água e uma dessas misturas artificiais, é assim que a sua comida será sentida, com sabor artificial, de mentira. É tão simples fazer um caldo leve de galinha, de legumes e até de carne, que não vale a pena desandar assim uma boa receita.

Recorrendo mais uma vez à Kylie Kwong, trago uma receita de caldo de galinha claro. Ele vai render uns 3 litros de caldo. Você pode congelar e sempre recorrer a ele quando for fazer um risoto, um molho e, claro uma sopinha para o inverno.

Uma dica para quando você não tem caldo congelado, ou tempo para preparar um, é refogar e depois cozinhar alguns legumes e ervas até que estejam bem moles, e usar essa água no lugar do caldo. Além de ser bem mais gostoso que aqueles temperos em cubinhos, é mais saudável. Aliás, você nem deveria comprar essas misturas. Eu costumo usar cenoura, gengibre, salsa, manjericão e salsão neste caso.

Caldo claro de galinha

Ingredientes
- 1 frango de aproximadamente 1.5 kg
- 4 litros de água fria
- 5 cebolas picadas
- 1 alho porró médio, lavado e picado
- 1 cenoura media, lavada e picada
- 2 talos pequenos de salsão, picados
- 8 folhas de louro
- 1/4 de maço de salsinha, picada grosseiramente
- 75 g de cabeças de alho, cortadas ao meio
- 1 col. (sopa) de grãos de pimenta branca
- 1 col. (sopa) de sal

Modo de Preparo
- Lave o frango e tire dele qualquer excesso de gordura, de dentro e fora de sua cavidade. Corte o frango em pedaços e o acomode em uma panela grande juntamente com os demais ingredientes. Leve à fervura, reduza o fogo e cozinhe lentamente, tirando com uma colher qualquer impureza e espuma que se forme na superfície.

O ideal é deixar cozinhando umas duas horas. Depois disso retire a panela do fogo, passe o caldo por uma peneira para restar apenas a água. Acomode o líquido em refratários que vão ao freezer e congele por uns três meses.

15.7.07

Pra quando a vida apertar

Tem épocas na vida nas quais nós temos que dar prioridade ao trabalho. Não tem jeito, se você está construindo uma carreira, vez ou outra isso acontecerá. Você passará 12h, ou mais, dentro do escritório, chegará em casa exausto e só querendo banho e cama.

Pra mim, é e sempre foi importante não resumir minha vida a trabalho e casa. Sair para espairecer é tão importante quanto ter uma boa noite de sono, porque você não descansa a cabeça dormindo, mas sim mudando o foco de atenção.

Com a cabeça razoavelmente descansada, você pode se esforçar um pouquinho e comer direito. Se não dá tempo de tomar café da manhã em casa, leve para o trabalho e tome lá, na frente do computador mesmo. Se não pode sair para almoçar, peça comida, ou leve de casa. Mas uma boa alimentação te dará a energia necessária para manter a máquina funcionando.

A dica do chocolate quente de manhã eu já dei aqui. Ele pode ser um bom incentivo pra você se mexer um pouquinho e ficar desperto. Agora, se você é daqueles que logo cedo precisa de um café mesmo, pra variar e dar mais graça a essa “vida dura” acrescente uma semente de cardamomo... o gostinho é interessante.

Mas e à noite? O que podemos fazer que vai nos dar um estímulo a mais, que é interessante o suficiente pra transformar um jantar cansado em uma refeição agradável para fechar o dia? Minha sugestão é uma salada vietnamita. Tudo bem que estamos no inverno e tudo que é jornal, guia e site de culinária está investindo em matérias sobre fondues, sopas e afins, mas que inverno é esse que atinge os 24ºC?

Essa receita eu peguei no programa da Nigella Lawson, que estava justamente no capítulo do que ela chama de comida saudável, pra quando você sente que precisa dar uma ajudinha para o seu corpo se manter funcionando.

Os ingredientes podem ser um pouco chatos de achar se você não está acostumado com comida oriental, mas aqui mesmo no Con gusto você encontra várias dicas de lugares para comprar o que você não encontrar no supermercado.

Salada Vietnamita

Ingredientes
- vagem ou ervilha torta
- broto de feijão
- 1 col (sopa) de gengibre ralado
- 1 dente de alho ralado
- 1 chilli vermelho sem semente picadinho
- suco de 1/2 limão grande
- 2 col (sopa) de fish sauce
- 2 col (sopa) de água
- 1 col (sopa) de açúcar
- 1 1/2 xícara de óleo vegetal
- 1 col (sopa) de óleo de gergelim
- macarrão de arroz
- 1 punhado de coentro
- camarão rosa cozido (cozinhe no vapor e ele mantém mais o sabor)
Defina a quantidade de vagem e broto baseada na quantidade de pessoas. O camarão para 6 pessoas deve ter uns 300g.

Modo de preparo
- Misture todos os ingredientes do molho.
- Escalde a vagem ou a cozinhe no vapor, para não perder a cor.
- Deixei o macarrão de molho em água quente por uns 5 minutos ou até amaciar.
- Junte todos os ingredientes exceto o camarão. Derrame o molho aos poucos, misturando com a mão. Coloque os camarões por cima, molhe-os com um pouco de molho.

11.7.07

Comidinha para impressionar

Você está a fim de impressionar alguém através da comida? Vai receber uns amigos, ou quer fazer um jantar especial para a comemoração de aniversário do primeiro beijo do casal? Bom, eu tenho uma dica para começar bem -você só tem que continuar lendo.

Segunda-feira passada, feriado em São Paulo, milagrosamente eu estava em casa descansando -minha mãe vai ficar orgulhosa de mim. Resolvi ligar a televisão e topei com o programa do Alex Atala e da Flavia Quaresma e, como sempre, xinguei o tempo todo por ver tanto talento acumulado em apenas duas pessoas.

O tema do episódio eram produtos orgânicos. Primeiro a Flavia foi a um empório fazer as compras. Mostrou um ingrediente mais suculento que o outro e até uns produtos que você se pergunta: "Como é que ele pode NÃO ser orgânico". Camarão é um exemplo. Como um camarão não é orgânico?! Superada a crise, você volta a se concentrar e vai descobrindo algumas maravilhas que vão brotando das mãos dela.

Uma delas é o que hoje nós podemos chamar de finger food, aquele tipo de comidinha servida em coquetéis, como entradinhas, aperitivos. E esta é a minha dica para você, que tá a fim de impressionar com uma travessinha dessas pequenas e bonitas delícias.

A combinação não é novidade, camarão com manga, mas os temperos que ela usou para temperar o fruto do mar dão gosto e cor incomuns e estimulantes. Segue a receita. Minha dica é colocá-los em uma travessa baixa, se possível de cor escura, para contrastar com o laranja da comida. Só não os monte com muita antecedência porque as folhas de manjericão não agüentam muito tempo bonitas.

Pincho de Camarão com Manga da Flavia Quaresma

Ingredientes
- 20 camarões médios e limpos
- 1 col (sopa) de tandoori (ou curry)
- 1 col (sopa) de páprika picante
- 1 col (sopa) de azeite
- 1 manga tommy ou haden
- 20 folhinhas de manjericão
- 20 palitos (tem palito com detalhes na ponta que ficam mais bonitinhos)
- sal e pimenta do reino branca moída na hora a gosto

Modo de preparo
-Coloque os camarões limpos numa travessa e temperar com o Tandoori e a páprika. Cobrir com um plástico filme e deixar na geladeira por 30 minutos.
- Corte a manga em retângulos de 2x0,5cm. Separe as folhas de manjericão e coloque numa travessa com água gelada.
-Retire o camarão da geladeira e tempere com sal e pimenta do reino branca. Aqueça bem uma frigideira antiaderente com o azeite de oliva e refogue os camarões. Retire do fogo e deixar esfriar.
-Monte os pinchos de camarão colocando o retângulo de manga sobre a área central do camarão. Espete a folhinha de manjericão no palito e em seguida a manga e o camarão.

4.7.07

Para os naturebas

Tenho uma amiga, daquelas amigas do peito, que deve ter acessado o blog uma única vez, por obrigação. Mas como ela é amiga mesmo, daquelas "pau pra toda obra", achei que merecia um post, mesmo que não o leia. Ela, vira e mexe, tem problemas no fígado, e aí fica sem comer determinadas coisas, para melhorar. Uma dessas coisas é o açúcar. Nada de doces.

Maníaca por muffins que estou, eu fiz ontem uma receita bem natureba, daquelas que você acha que não vai dar certo. Você olha com desconfiança para os ingredientes, enquanto prepara não coloca fé na massa e, quando está assando, vai de 5 em 5 minutos olhar o forno para ver se eles estão crescendo. E não é que estavam?!

A receita é de um livro novo que estou lendo, o "Purely Golden Door", de um spa australiano, na Golden Coast. Lá eles tentam manter a saúde através da alimentação, de exercícios e do descanso. Evitam óleo, farinhas brancas, açúcar branco e tudo aquilo que a gente acha gostoso e imagina que não dá para viver sem.

As receitas, devo admitir, são tentadoras. Até agora só fiz o muffin e achei que vale a pena. É claro que fiz algumas adaptações, especialmente porque nossas frutas são um pouco diferentes e porque eu não tinha farinha integral em casa. Você pode fazer as suas e arriscar. Saudável você sabe que estará.

Segue a receita para essa minha amiga, que vai precisar.

Muffin de maçã, nozes e maple syrup

Ingredientes:
- 2 maçãs descascadas e picadas miudinhas
-2 bananas bem maduras e picadinhas
- 85g de tâmaras secas picadas
-125ml de maple syrup
- 3 col. de nozes picadas
- 2 e ½ xíc. de farinha integral (eu usei a farinha branca mesmo)
- 1 col. (chá) de bicarbonato de sódio
- 1 col. (chá) de canela em pó
- água o quanto baste

Modo de preparo:
Ligue o forno em 180ºC. Misture todos os ingredientes à mão. Depois que estiverem bem combinados, acrescente 1/3 de xícara de água. Misture. A massa não pode ficar muito molhada, só precisa virar uma massa mesmo. Se precisar acrescente mais água. Se ficar muito molhada, ponha mais farinha.

Distribuía por 12 forminhas de muffin e asse por uns 25 minutos. Os fornos são muito diferentes, então é bom dar uma olhada antes.

2.7.07

Livrarias que te quero bem

Um dos meus programas preferidos no domingo à noite, num fim de tarde chuvoso, ou de preguiça é ficar numa livraria. Claro que a minha seção preferida é a de gastronomia e eu já estou ficando expert sobre as melhores lojas.

Hoje, muitas livrarias -e pude ver outro dia lojas de roupas e sapatos também- têm cafés para atender seus clientes. Você pode pegar o seu livro, revista, o que for, e folheá-lo enquanto saboreia uma bebida e até comidinhas. Nada melhor que comprar um livro tendo a certeza de que ele vai te interessar.

Para os livros de gastronomia isso é especialmente valioso. Muitas vezes você olha a capa de um livro estrangeiro, principalmente, e se empolga, mas ao ler suas receitas, ingredientes e modos de preparo, percebe que não é para você. Não adianta você pegar um livro de sobremesa que tem muitas receitas com ruibarbo, que não vai conseguir encontrá-lo facilmente no Brasil.

Uma das minhas livrarias prediletas é a Cultura. Lá você encontra de tudo e tem total liberdade para pegar vários livros de uma vez, sentar num canto e ficar horas lendo. A nova Cultura tem, inclusive, vários pufs para as pessoas ficarem deitadas curtindo.

Eu costumava ir muito à unidade do shopping Villa Lobos. Pegava, sem brincadeira, uns 15 livros por vez, sentava num banco próximo e ficava horas. Hoje vou mais àquela do shopping Market Place. A seção de gastronomia mudou recentemente de local, está mais no canto, é mais tranqüilo.

A da Paulista também é legal, mas ainda está muito movimentada para o meu gosto, talvez por ser novidade.

Uma livraria que tem me surpreendido é a Saraiva. Não gostava muito dela, mas sua seção de gastronomia só cresce, com títulos bastante variados, importados e nacionais. Os preços estão dentro do esperado, sendo que algumas vezes as promoções surpreendem. Vale a pena uma visita. Eu costumo ir à do shopping Morumbi, onde hoje tem uma Starbucks anexa (cara, é verdade, mas gostosinha).

A Fnac é bem ruinzinha, pra ser sincera. A seção de gastronomia parece que fica cada vez menor, sempre com os mesmos títulos, e com preços meio caros. Mas, pra ser sincera, faz um tempo que não passo por lá... vai que mudou?

A notícia triste é o fim da Mille Foglie, uma livraria especializada em livros de gastronomia que fica nos Jardins. Lá você encontra de tudo, até o El Bulli eles têm. Os preços são um pouco salgados para algumas coisas, as mais raras, mas as demais ficam dentro do mercado.

Neste mês eles estão com uma promoção de 30% de desconto porque a livraria vai fechar. Eu não sei o motivo, mas tinha uma coisa lá que me incomodava demais, e acho que pode ter incomodado, e afastado, muitos clientes. Para você entrar era preciso tocar a campainha. Você era atendido e ficava bem à vontade no espaço, mas como ele frequentemente estava vazio, era muito estranho ter só você e as vendedoras lá. O prédio é lindo, a decoração impecável, mas tinha esse detalhe. Espero que um dia sua dona possa abri-la novamente.

Livrarias menores, que ainda não são shoppings de livros e afins, valem mais a pena pelo clima gostoso e aconchegante. A Livraria da Vila, na Lorena, por exemplo, é pequena, não tem centenas de livros de gastronomia, mas tem uns títulos interessantes. O mais gostoso é você ir ao andar superior, no Il Barista, degustar um bom café. Tenho uma reclamação de lá, no entanto. A localização da seção de gastronomia é péssima. Ela fica no intervalo da escada que leva o subsolo ao térreo e andar superior. Sempre tem alguém passando e atrapalhando. Você não consegue ficar tranqüilo um só instante. E quem vai olhar livros de gastronomia, tem que ter tranqüilidade. Fica meu protesto.

Um outro lugar legal para ir é a Livraria Sobrado, que fica na Avenida Moema. A loja é mesmo um sobrado, com chão de taco e tudo, como numa residência. É super aconchegante, linda, "cool". A seção de gastronomia é boa, acho que não fica atrás da Fnac, e tem um café bem gostosinho, com sofás e poltronas pra curtir. A única parte ruim é não funcionar aos domingos.

Infelizmente não conheço nenhuma livraria pequenina, de bairro, ou até mesmo um sebo com bons títulos de gastronomia. Aceito, inclusive, sugestões.

29.6.07

Comidas de mamãe

Meu nome é Bianca e eu tenho uma amiga grávida. Uma não, na verdade são várias. Isso é meio apavorante porque indica, de uma certa maneira, que a minha vez vai chegar.

É engraçado como temos fases na vida. Tem o período do vestibular. Bum! Todo mundo ta prestando. Aí tem o período das formaturas. Depois dos casamentos... agora eu estou na fase da gravidez. Daqui a pouco teremos vários pequeninos chorando nos “dinner party”.

Enquanto os enjôos, inchaços e alterações de humor são por conta dessas minhas amigas, eu estou curtindo a situação – devo confessar que cheguei a pirar com esse surto de mulheres grávidas ao meu redor, mas já passou.

To curtindo tanto que prometi para uma dessas minhas amigas, que por sinal está ficando mais velha hoje, que escreveria um post para ela com uma receitinha de mamãe. Há tempos venho namorando um livro que parece delicioso pela capa, e que no recheio trás algumas receitas interessantes, é o “Receitas para a futura mamãe”.

Ontem fui a uma livraria em busca dele e me surpreendi com a quantidade de livros para grávidas que encontrei. Tem livro para grávidas vegetarianas, para uma gravidez toda orgânica, sucos para grávidas e, claro, para uma futura mamãe “normal”. São muitas opções, e a maioria é tentadora inclusive para aqueles que não estão grávidos.

Escolhi a receita que passaria para minha amiga mamãe com uma coluna que li recentemente em mente. Nela a escritora falava do desenvolvimento do paladar e de como é importante estimulá-lo com freqüência. Lembrei também de uma das histórias que meu sogro contou outro dia, sobre um rapaz que sempre come a mesma coisa nos almoços que eles fazem juntos. Nunca prova nada novo, nunca se arrisca. Vida triste.

Mas a informação que mais me influenciou nessa coluna foi a de que o bebê, desde o útero, sentiria os estímulos gustativos da mãe. Para isso, porém, seria importante que a grávida incitasse seu paladar, com gostos incomuns a ela.

A idéia ao escolher a receita que digo a seguir foi a de usar dois ingredientes que os brasileiros já estão acostumados, mas nunca juntos, e daí viria o estímulo. Segue, portanto, uma idéia nova de prato para as mamães, em especial para a mamãe aniversariante.


Lentilha com gengibre

Ingredientes:
- 400 g de lentilha
- 1 maço de coentro picadinho
- um pedaço de 2 cm de gengibre ralado
- 4 col. (sopa) de azeite
- 2 col. (sopa) de vinagre
- sal & pimenta

Modo de preparo:
- Cozinhe as lentilhas com água e sal até ficarem moles, mas não desmanchando
- Prepare o molho misturando todos os outros ingredientes
- Regue a lentilha com o molho e aproveite
- Lentilha combina bem com linguiças, se quiser um acompanhamento

28.6.07

Ah! O inverno...


Com a chegada do inverno e a obrigatoriedade de trabalhar (bons tempos aqueles que tínhamos férias escolares!!) uma das coisas mais gostosas para ajudar a enfrentar o longo dia de trabalho é chegar à sua mesa com uma caneca quentinha de chocolate quente, mas o de verdade!

Tá certo que engorda, não tem como mentir, mas se você está em forma e o consumir com moderação, não enfrentará problemas. Assim como o cafezinho tão habitual aos brasileiros, o chocolate também tem cafeína, que é um estimulante, par perfeito para uma segunda-feira logo cedo.

Possuidor de substâncias químicas que viciam, como a anandamina, que estimula o cérebro produzindo uma sensação leve de bem estar, o chocolate também tem efeitos sobre a serotonina e dopamina, que regulam nosso humor. Eu não poderia pedir mais nada dele.

Uma boa dica para carregar a bebida, que provavelmente você fará em casa, e mantê-la quente são aquelas canecas térmicas. Hoje elas podem ser encontradas em lojas de utensílios para cozinha e até em bons supermercados. Uma dica é procurar nas lojas da Liberdade, que têm diversos modelos a bons preços.

Aqui deixo duas versões. Uma matinal e uma que pode ser feita à noite, para esquentar depois de um banho gostoso.

Chocolate quente matinal

Ingredientes:
- 1 xíc. de leite integral
- 1 pau de canela
- 1 col. (sopa) de mel
- 1 pitada de açúcar mascavo
- 1 col. (sopa) de essência de baunilha
- ½ barra de chocolate meio-amargo

Modo de Preparo:
- Aqueça todos os ingredientes, exceto o chocolate. Quando estiverem no ponto de fervura, abaixe bem o fogo e acrescente o chocolate. Mexa até dissolver. Retire a canela para beber.

Chocolate quente noturno

Ingredientes:
-Os mesmos ingredientes do chocolate quente matinal mais um gole de rum de boa qualidade

Modo de Preparo:
-Igual ao do chocolate quente matinal, mas você acrescenta o rum juntamente com a barra de chocolate.
-Agora, divirta-se!

27.6.07

Devagar e sempre

Você é uma daquelas pessoas que detesta ir ao supermercado? Fica irritado só de imaginar pegar fila, trombar com pessoas e carrinhos pelos corredores, ter que olhar data de validade e prestar atenção no número de calorias daquela bolacha?

Que tal mudar seu modo de ver essa experiência e se divertir um pouco? Se possível vá acompanhado, serve namorado, esposa, amigos e até mãe. Procure não comprar tudo em um só lugar e também não de uma vez. Por exemplo, ao invés de ir na seção de verduras e escolher uma caixinha de cogumelos já toda suada no supermercado perto da sua casa, pegue um sábado e vá até a Liberdade. Qualquer lugar lá vende vários tipos de cogumelo fresco e mais barato.

Quer comprar frutas e verduras? Vá à feira. Tem feira todo dia em todo canto. Se não dá durante a semana, vá no final de semana, nem que seja de 15 em 15 dias. E até dá para ir sem tomar café, mesmo que você não seja fã do tradicional pastel, hoje em dia encontra tapioca, bolinho disso e daquilo. Fora os inúmeros pedaços de fruta que os feirantes praticamente socam na sua boca no caminho pelos corredores barulhentos.

Agora, se você quer ovos, o lugar é outro. Vá ao Mercado Municipal de Santo Amaro. Lá perto do Largo 13. Você pode encontrar ovos caipira (de verdade, com a gema vermelinha!), orgânicos, os dois juntos, de pata, de codorna e não duvido que encontre de avestruz um dia desses. A banca fica lá no fundo do mercado, num cantinho.

Nesse mesmo local você também encontra queijos ótimos a um preço justo. Pertinho da banca de ovos, também na última rua do mercado, tem uma loja onde é possível encontrar um queijo tipo brie feito em Minas Gerais fantástico, sucesso absoluto. Produtos alemães lá também são comuns, e bons. Os comerciantes e fregueses são muito amigáveis. Todo mundo se conhece e se trata bem, é até assustador, visto que nossa sociedade não é da mais educada.

Se você acha Santo Amaro muito longe, tente o Mercado Municipal do seu bairro. Lá você também encontrará produtos frescos e mais em conta.

Para comprar temperos a dica é mesmo criar coragem, respirar fundo para enfrentar o trânsito e a multidão, e ir até o Mercadão Central. Lá tem o que eu chamo de “mundo dos temperos”, algumas bancas lotadas de saquinhos de ervas pendurados. Se você entra em uma delas, se sente em outro mundo e acha coisas de outro mundo mesmo.

Aproveite que está lá para comprar carnes. As bancas do Mercadão têm produtos realmente frescos e alguns exóticos. A mais famosa é a banca Porção, com atendimento simpático, apesar de apressado.

Já no supermercado tradicional, a dica é ir ao maior que você encontrar. Os corredores serão mais espaçosos e o desespero de ter gente travando o caminho será bem menor. Lá, procure se divertir. Na seção de macarrão, por exemplo, compre um mac&cheese industrializado, podrão mesmo, “só para provar”. Descubra, na sessão de bolachas, uma que vai ao freezer uma hora antes para virar uma coisa diferente, que não parece com nada a não ser uma bolacha gelada.

Veja a geladeira de congelados, você vai se surpreender com as coisas que eles conseguem congelar em escala. Fique longe das carnes e peixes, por favor. Mas dê uma olhadinha nos iogurtes, sempre vai ter um que te deixará com água na boca. Passe na seção de águas, compre uma com gás, diferente das demais e, claro, descubra a última novidade em termos de miojo, você verá que é igual as anteriores.

Serviço:

Na Liberdade:
Mercados das ruas Galvão Bueno e dos Estudantes

Algumas boas feiras:
-Rua. Cel. Oscar Porto – Paraíso (domingo)
-Pacaembu (sábado)
-Rua Carneiro da Cunha – Vila da Saúde (domingo)

Mercadão:
Rua da Cantareira, 306

Mercado Municipal de Santo Amaro:
Rua Padre José Anchieta, 577
Tel: 5687-2808

26.6.07

A primeira refeição

Eu acordo faminta. Louca para tomar café da manhã. Pão com manteiga na chapa, suco de laranja e café preto já me fazem feliz. Quando tem algo doce para acompanhar então... perfeito!

Conversando com uma amiga sobre ginástica e a falta que faz a prática de exercício, lembrei de uma época que vivi há alguns anos. Eu acordava muito cedo, umas 5h30, 6h da manhã, para nadar. Fazendo sol ou frio, lá estava eu, de maiô e touquinha.

Encontrava meu pai na academia. Ele numa piscina, eu na outra, cada um fazia a sua aula. De lá íamos para o alongamento e ríamos até, já que ele nunca conseguia se esticar o suficiente. E então a recompensa por todo o esforço, um café da manhã na melhor padaria da cidade.

Seguíamos direto para o balcão de lanches e invariavelmente eu pedia o queijo branco e quente, que eles temperavam direitinho. Ficava muito saboroso, com aqueles gostinhos já impregnados na chapa. Pra ajudar a descer, um suquinho de laranja. Saudades...

Hoje, continuo criando hábitos de café da manhã. Naqueles finais de semana nos quais não tenho que trabalhar, faço da primeira refeição do dia algo longo, caprichado. Se estou em casa, invento vitamina, panqueca, omelete, já cheguei até a acordar o marido com cheirinho de bolo recém assado.

Mas quando faltam ingredientes, ou bate aquela preguiça, apelamos para as padarias e afins. Uma delas fica na Av. Santo Amaro, a Tortula. O buffet de final de semana lá é caprichado, com muitos petit fours, diversos pães, frios, bolos, doces mais doces, sucos e café com leite, claro. Sai caro, mas vale a pena para alguém que, como eu, é capaz de ficar horas lá comendo.

A mais nova descoberta, no entanto, foi uma surpresa. O NYC NYC, uma lanchonete na Av. Berrini que atende aos esfomeados trabalhadores paulistanos todo dia na hora do almoço, também tem boas opções para se comer pela manhã.

Eu, claro, sempre peço o “big NYC”, ou algo que o valha. Você recebe uma baguete e pode escolher entre cream cheese, geléia e manteiga. Um waflle quentinho feito na hora que também pode receber diversas coberturas - como frutas vermelhas, chocolate e limão -, iogurte com mel e cereais, suco de laranja e uma bebida quente. O “Caramel” deles é gostoso e o “Moccha”, um capuccino abrasileirado que vem com chocolate além do café e leite, também.

O brownie, enorme, também é gostoso, mas poderia ser mais molhadinho. Já o cookie, igualmente grande, é mais crocante e “recheado”. Vale a visita, eu sempre volto lá.

Agora, se você se inspirou para fazer algo no conforto de sua casa, segue aqui uma receita de panqueca diferente, pra sair mesmo do comum.

Panquecas de queijo cottage

Ingredientes:

- 2 xíc. de morangos
- 2 e ½ col. (sopa) de açúcar
- ½ col. (sopa) de vinagre balsâmico
- 3 ovos separados
- 2 col. (chá) de essência de baunilha
- 1 xíc. de queijo cottage
- 1/3 xíc. de farinha de trigo

Modo de preparo:

- Pique os morangos já limpos e lavados, misture-os com ½ col. (sopa) de açúcar e com o vinagre balsâmico. Deixe reservado
- Misture em uma travessa as 3 gemas, o queijo cottage, o restante do açúcar, a essência de baunilha e a farinha
- Na batedeira, bata as claras em ponto de neve. Misture delicadamente com a mistura da farinha e queijo.
- Em uma frigideira antiaderente quente coloque conchas da massa e aqueça-a dos dois lados, até que fique firme.
- Sirva com a mistura dos morangos por cima

22.6.07

Oliva

Ontem fui jantar num restaurante que se chama Oliva, bem pertinho da Berrini. Quem pensa que ali não tem vida à noite está enganado. Alguns poucos, mas bons, restaurantes ficam abertos depois que as empresas fecham. E este é um exemplo.

Pequeno, com clima de Toscana, tem no fundo do salão (dividido por paredes com janelas que imitam a fachada de uma casa) uma fonte de água, com aquele barulhinho gostoso. O atendimento é muito educado e você recebe vários “Boa noite, obrigado”, ao sair.

Na frente da casa, um pequeno jardim com mesinhas. Em uma noite com temperatura agradável, tomar um café ali, ou aperitivos, pode ser uma boa idéia.

A cozinha investe na culinária mediterrânea, com boa opção de massas e risotos. Uma das minhas dicas é justamente o risoto de camarão, talvez o mais gostoso do cardápio. Com tiras de presunto parma e ervilhas, tem um sabor complexo, mas sem confundir.

Já o risoto de aspargos, alho poro e abobrinha vem numa boa consistência, macio e cremoso, responsabilidade do queijo de cabra que está na receita. Apesar de o cardápio dizer que há um leve toque de limão siciliano, não o senti. O que, no entanto, não compromete o prato. Simples, sem grandes complexidades, cai muito bem para aqueles dias que você quer simplificar e dormir leve.

Outro prato que agrada é o salmão ao molho de mel de laranjeira e limão siciliano. O peixe vem no ponto certo e o molho é mais para o doce que salgado. O acompanhamento, um couscous de legumes, combina, apesar de não ser sensacional.

O couvert, a R$ 5 por pessoa, o que é um bom preço se comparado a muitos restaurantes da cidade, é bastante equilibrado. Composto por um pão macio bastante gostoso e salgadinho, pedaços de pão italiano e grisinis temperados, combina com dois patês (um com gostinho de molho tártaro e outro de berinjela muito suave), manteiga e azeitonas suculentas.

Para a sobremesa só não aconselho o tiramissú, que é bastante diferente do que esse doce deveria ser. Ao invés de macio, vem com pedacinhos que lembram a ricota e isso já é suficiente para estragar a experiência. O tortino de cioccolato agrada àqueles que gostam de chocolate, mas melhor é o Pescajus Catalán, um crepe com recheio de creme pâtisserie coberto com calda de chocolate e amêndoas laminadas.

No fim, o Oliva proporciona uma boa experiência, especialmente com os salgados. O ambiente te faz relaxar e esquecer que está na “boca” de um dos maiores centros comerciais da cidade, mostrando o lado diversão do Brooklin e te tirando do circuitozinho Jardins/Pinheiros/Vila Olímpia.


Serviço:
Rua Nova Independendia, 98 – Brooklin
Tel: (11) 5505-4755

21.6.07

Ah! A Berinjela!


Tem coisa mais bonita que a berinjela? Roxa, quase preta, ela tem a pele lisinha e firme, é gordinha numa das pontas e pescoçuda na outra. Quem foi o primeiro cidadão que teve a coragem de comê-la? Bendito seja!

Aqueles que nem chegam perto desta delícia, que me perdoem, mas hoje quero falar da berinjela!

Segundo alguns historiadores, no início ela era cultivada como planta ornamental na Índia, há cerca de quatro mil anos. Ela só teria chegado à Europa no século XIII através dos árabes na Espanha, que são grandes apreciadores do fruto.

No Brasil, a mais comum é a roxa mesmo, que se adapta bem ao clima tropical, mas ainda podemos encontrar em boas feiras e sacolões aquelas brancas, rajadas de roxo. Na Itália, existem ainda umas mais redondinhas, que chegam a parecer uma abóbora, só que na cor vermelho cereja. Há também aquela que é toda branca e umas que têm o formato de uma pimenta.

Além do gosto marcante, que pode combinar com inúmeros temperos graças à sua natureza de esponja, que absorve facilmente outros ingredientes, a berinjela também faz bem para a saúde. Alguns estudos revelaram que ela ajuda no controle do colesterol, da pressão sanguínea, também auxiliando com problemas de fígado e estômago.

À parte bizarrices como sucos de berinjela de manhã para emagrecer, inúmeros pratos podem ser criados com esta maravilha. Um muito tradicional da culinária grega é a musaka, uma lasanha de berinjela fantástica, que em São Paulo pode ser deliciada em sua plenitude no Acrópoles, no Bom Retiro. Outro é a caponata, feita muito bem pelos italianos do Bixiga, ou ainda um curry vegetariano da Índia.

Ontem eu resolvi me dar de presente uma massa com a bendita, que em casa só é apreciada por mim. Fiz às pressas, meio atrasada para a aula, e não é que ficou fantástica? Até tive que trazer um pouco para comer no trabalho, pra não ficar com muita saudade.

Segue então esta receita ótima, fácil e deliciosa para os que, como eu, ficam com a boca cheia d’água só de ouvir falar na berinjela.

Espagueti com molho de berinjela
(4 porções)

Ingredientes:

-300 g de espagueti
-125ml de azeite
-1 cebola bem picadinha
-3 dentes de alho esmagados
-400 g de berinjela picadas
-1 col. (sopa) de vinagre balsâmico
-2 tomates picados
-3 col. (sopa) de manjericão picado

Modo de preparo:

-Cozinhe a pasta al dente.
- Esquente 1 col. de azeite numa panela grande e refogue a cebola e o alho por uns 5 minutos ou até a cebola dourar. Mexa sempre para o alho não queimar. Retire da panela e reserve.
- Coloque metade do azeite restante na mesma panela, acrescente metade da berinjela e frite, mexendo sempre, até que ela fique escura. Retire e repita a operação com a outra metade da berinjela.
- Volte todos os ingredientes para a panela (a berinjela reservada e a cebola com o alho), acrescente o vinagre, o tomate e o manjericão. Refogue por mais uns 5 minutos, até que tudo esteja aquecido por igual. Apague o fogo, salgue conforme seu gosto e misture ao espagueti cozido.
- Bom apetite!

20.6.07

Pra hora da preguiça

Nesta semana, graças a essa maravilha que é a internet, troquei algumas palavras com uma amiga que não devo ver há quase um ano. Ela me falava que aos sábados, após sua aula, se rende aos restaurantes por quilo da região. Comida é comida, você diria. Mas eu não concordo. Poucas coisas são mais prazerosas pra mim que usar um sábado e domingo para cozinhar algo especial, mesmo que rápido e pouco trabalhoso. Só o fato de você escolher e cuidar do que vai comer, sentar num ambiente agradável (sua casa deveria ser assim para você) e almoçar com calma, faz toda a diferença.

Hoje, a maioria desses chefs que têm programas na televisão difunde receitas fáceis e simples de preparar. A Nigella Lawson, por exemplo, costuma dizer uma frase que me anima: “Máximo prazer, com mínimo esforço”. E foi aí que pensei em dar uma luz a essa amiga.

Nessas horas de pressa, preguiça ou canseira, uma massa sempre é uma salvação. Difícil encontrar alguém que não goste de um bom macarrão e mais difícil ainda alguém que não seja capaz de prepará-lo. Nada de molho pronto de latinha, por favor, ou daquele pacotinho de tempero do miojo. Use produtos frescos e você não irá se arrepender.

Pra começar, uma boa massa sempre cozinha rápido. Depois de ferver a água, coloque a pasta escolhida na panela e você deverá tê-la pronta em uns 10 minutos. Não deixe passar do tempo para ela não ficar grudenta e muito mole. Prove de quando em quando pra não errar.

E para evitar aquele tradicional molho de tomate - que por sinal pode ficar fantástico com a fruta certa e a quantidade adequada de manjericão fresco -, você pode bolar na hora um molho de queijo. Que te parece? Uma lata de creme de leite, um pedaço de queijo gorgonzola e um pouco de manteiga podem resultar num penne al formaggio (só pra impressionar). Interessou? Então segue uma receita explicadinha pra não ter galho.


Macarrão com molho de gorgonzola

(para umas 4 pessoas como prato único)

Ingredientes:

- 500g de penne
- 30g de manteiga
- 1 lata de creme de leite ou 500 ml de creme de leite freco (melhor)
- 350g de gorgonzola (do bom, bem verdinho)
- Noz-moscada
-Queijo parmesão para polvilhar

Modo de preparo:

-Ferva água suficiente para cobrir os pennes. Coloque a massa na panela com sal e cozinhe até ficarem al dente (moles, mas com uma pequenina resistência).
-Enquanto eles cozinham, pegue uma panela larga, que pode ser baixa, e a esquente. Derreta nela a manteiga e depois despeje o creme de leite. Deixe que ele chegue quase a ferver.
-Neste ponto acrescente o gorgonzola despedaçado e misture até que ele dissolva. Rale um pouco de noz-moscada em cima.
- Voilà! O molho está pronto. Junte a massa cozida a ele e rale em cima o parmesão. Faz toda a diferença ser um queijo ralado na hora, no ralador grosso.

Divirta-se e bom apetite!

19.6.07

Você tem uma receita para compartilhar?

Uma amiga me encaminhou uma daquelas correntes nas quais você manda uma receita para alguém e teoricamente recebe outras 20. A primeira coisa que pensei foi: “Onde vou encontrar 20 pessoas que tenham receitas interessantes para compartilhar e que não vão xingar a minha mãe quando receberem a tarefa?”.

Resolvi dar o primeiro passo, que era enviar para o primeiro nome da lista uma receita. Pronto. Essa é fácil. Tenho várias preferidas, poderia fazer um caderno delas e enviar para ele pelo correio.

O segundo passo foi doloroso, mas saiu. Aposto que 90% das pessoas não vão participar, mas selecionei amigos que têm a acrescentar. Uma delas tem família grega e faz umas receitas diferentes, com temperos pouco usados no Brasil e que dão um toque todo exótico aos pratos.

Outra é brasileira, de família japonesa e que mora nos Estados Unidos. Ela me contou que lá anda fazendo umas coisas gostosinhas e eu sei que tem mão boa para doces e bolos. Um outro amigo, que também é cunhado, já morou na Polônia e Hungria, adora cozinhar e vive trazendo novidades. E tem ainda a amiga preguiçosa, que vive querendo aprender a cozinhar, mas que confessa comer no shopping depois de suas aulas de flamenco. Ela faz charme, mas sei que tem seus segredos. E, como não poderia faltar, tem mamãe, que apesar de sempre dizer que não sabe cozinhar, tem uns pratos que só ela faz daquele jeitinho.

Dessa corrente espero aprender coisas novas, mas também passar as receitinhas que mais gosto. Aproveitando a onda, vou colocar uma aqui que testei há alguns meses e que fez sucesso.

Muffins de Caqui

Ingredientes:

-Polpa de 1 caqui grande (retire com colher)
-1 colher (sopa) de fermento em pó
-100 g de margarina (1 tablete)
-1 xícara de açúcar
-2 ovos
-1 1/2 xícara de farinha de trigo
-100 g de iogurte natural com mel (meio pote)
-1 pitada de sal
-1 colher (chá) de canela em pó
-1 colher (chá) de essência de baunilha
-1 colher (chá) de suco de limão
-2 colheres (sopa) de Bourbon (opcional, ou conhaque)

Modo de Preparo:

1. Pré-aqueça o forno a 200°C.
2. Em uma tigela média, misture o caqui amassado ao fermento em pó e reserve.
3. Em outra tigela ou na batedeira, bata a margarina e o açúcar até virar um creme. Acrescente os ovos e bata mais. Sem bater muito, vá adicionando a farinha, o sal, a canela, o iogurte, a baunilha, o suco de limão, e o bourbon. Por último, acrescente a mistura de caqui com o fermento e mexa delicadamente.
4. Unte uma forma para 12 muffins ou use forminhas de papel. Encha as forminhas até 2/3 da capacidade. Asse por 15 a 20 minutos ou até dourar.
5. Eles ficam bem molhadinhos

7.5.07

Nova opção na Paulista

Os paulistanos têm uma nova opção para comer barato e rápido na região dos cinemas da Paulista. É o Tollocos, que fica praticamente em frente ao Espaço Unibanco.

É muito comum as pessoas comprarem seus ingressos para um filme e procurarem alguma coisa rápida para comer. Rápida e barata. E é aí que o tão freqüentado Pedaço da Pizza sai de cena. No começo a pizzaria era barata e servia pedaços realmente grandes, saborosos. Hoje, a qualidade da comida caiu e os preços subiram. Sucesso absoluto, o dono achou que poderia fazer isto.

O Tollocos é uma cópia tex-mex do Pedaço da Pizza, mas ainda com pratos mais em conta. O espaço não é tão aconchegante quando o concorrente do outro lado da rua, mas é novo, bonito e limpo. Os atendentes, tanto do balcão, quanto os cozinheiros, são simpáticos e alertam para a pimenta dos ingredientes.

O cardápio é variado, os mais conhecidos do público paulistano são os tacos -aqui na versão norte-americana do prato mexicano, servido em uma concha de massa de milho -, burritos e nachos. Você pode montar o seu recheio, ou escolher aqueles que já estão prontos, em um cardápio exibido na parede.

O molho de sour cream deles é gostoso e o guacamole vai coentro, o que pra mim é essencial. O taco de carne tem sabores simples, mas que combinam. É pequeno, mas só custa R$ 2,90. A porção de nachos é boa, mas da próxima vez eu pegaria dois molhos. Com guacamole ela custa R$ 5,50, com molho extra se acrescentam R$ 2,00.

Os burritos também são bons. Os que vão cheddar dão uma base legal, como o burro texano, e os médios servem muito bem para tapear a fome antes de um filme. Eles custam R$ 6,90.

O maior problema da loja, no entanto, é que abre apenas depois das 18h00 no domingo, dia tradicional de cinema. Nos demais abre desde o almoço.

Uma refeição pode ser emocionante?

Você já se emocionou comendo? Será que isto é possível? Bom, pra mim é. Pelo menos foi, uma vez.

Faz um mês, mais ou menos. Fui jantar num restaurante nos Jardins, em São Paulo, que se chama La Risotteria, do Alessandro Segato. Cheguei imaginando se tratar de um restaurante mais simples, tipo bistrô, com clima aconchegante, moderno e clean. Encontrei o oposto.

O restaurante é caprichado, chique. As pessoas, a maioria acima dos 50, também são chiques. Apesar de usar aparatos mais descontraídos, como raladores no lugar de lustres, e garrafas usadas na decoração das janelas, ele ostenta riqueza em itens como copos e taças, mesas e cadeiras, e na própria arquitetura do prédio.

Sentei acanhada no meu lugar e comecei a ver o cardápio. Em um restaurante chamado La Risotteria eu nem pesava em pedir algo diferente de um risoto. Tinha que provar o risoto, mas antes, tinham o couvert e a entrada.

Foi possível ver que o couvert era caprichosamente pensado. Mini-legumes crus servidos em taças lindas, pãezinhos quentinhos e diferentes, vira-e-mexe renovados pelo garçon, grisinis, e dois diferentes tipos de patês já dão a idéia de que a refeição será especial.

Para entrada pedimos uma salada de maça, salsão, frutos do mar, mel e gengibre. Saborosíssima, ela vem servida dentro de uma maçã verde, muito charmoso. O doce do mel misturado com o sabor peculiar do salsão é uma combinação inesperada e de sucesso.

Como prato principal pedimos dois risotos. Um de carne de caça e cogumelo porcini e (é aqui que entra a emoção) um de cogumelos frescos do bosque e foie gras fresco. O primeiro estava muito gostoso. Pesado, com gosto de carne de caça mesmo, forte, e com cogumelos em abundância.

Já o segundo foi emocionante - literalmente. O único e pequeno pedaço de foie gras que tinha no prato de arroz valeu toda a refeição. Fresco, como dizia o cardápio, ele tinha o sabor mais incrível que já provei. Intenso, salgado, levemente picante e com aquele gosto indescritível que só as coisas incríveis têm. Não era qualquer foie gras, ele sumiu na boca aos poucos, e me deu lágrimas nos olhos.

Depois disso, a sobremesa era desnecessária, até não recomendável. O melhor seria permanecer com aquele sabor na boca. Mas graças à Deus eu pedi um doce. O meu foi o tiramissú. Clássico, receita de Veneza. A massa era fina, apenas na base. O restante era creme de mascarpone, muito leve, derretia na boca. Perfeito para encerrar uma refeição emocionante. O café? Este eu dispensei, mas os que o pediram recebiam junto uma taça com balinhas coloridas de goma. Um charme.