25.7.07

Digo não ao radicalismo


É cada vez mais comum eu ler matérias, especialmente na imprensa norte-americana, sobre a mudança no modo como os animais para abate são criados, alimentados e sacrificados. Sobre como cada vez mais estados estão proibindo a venda de foie gras e até de vitela.

Nos Estados Unidos, muito mais que aqui no Brasil, os ativistas ecológicos e dos direitos dos animais têm demonstrado cada vez mais força e alcançado cada vez mais objetivos.

Nesta quarta-feira, o jornal New York Times publicou uma matéria falando como esses ativistas perceberam que ao invés de "endemonizar" os criadores de animais e as pessoas que consomem carne, era mais fácil e eficiente organizar orçamentos viáveis, fazer política de influência e eleger dirigentes que lutassem pelas mesmas causas, com foco deliberado nas fazendas.

Um dos principais grupos que luta pelos direitos dos animais, proprietário da Fazenda Santuário, tem adotado, nos últimos anos, táticas mais sutis, como comprar ações de grandes corporações de alimentos, organizar campanhas políticas inteligentes e fazer lobby com legisladores.

Ao invés de criticar quem come carne, eles começaram a fazer campanhas pelo tratamento adequado dos animais. Tática mais inteligente, penso eu. Mesmo que achem os carnívoros seres de outro mundo, maldosos, que pelo menos comam carne de um animal que viveu bem.

Tenho uma amiga que fica extremamente irritada quando vegetarianos tentam "convertê-la". Ela é uma das pessoas mais carnívoras que conheço, e usa como argumento que está no topo da cadeia alimentar. É fácil perceber que ela não vai deixar de comer carne, mas certamente vai preferir uma galinha que ficou ciscando pelo terreno, não apenas porque ela "viveu melhor", mas porque a carne é mais saudável e mais saborosa.

É nítida a diferença entre um ovo de grandes granjas e um caipira. A gema do primeiro é amarela clara, opaca, enquanto do caipira é menor, laranja quase vermelha (quando não é vermelha mesmo) e brilhante. Aí você pensa: se com o ovo é assim, imagina com a carne do animal.

"Ao invés de dizer as coisas do jeito que elas são mesmo, aprendemos a apresentá-las de uma forma mais moderada", disse Baur, um ativista vegetariano, para o New York Times. "Quando diz respeito ao ideal vegetariano, é uma aspiração. Se eu amaria que todos fossem vegetarianos? Sim. Mas queremos ser respeitosos, e não críticos."

Se esse for o espírito, provavelmente será mais fácil atrair mais ativistas, mais pessoas que vão optar pela carne orgânica e pelo ovo caipira. E aí talvez seja o início do círculo. Com mais pessoas optando pelo orgânico e ecologicamente correto, mais será produzido, menor será o preço, e do diferenciado, esses produtos passarão ao comum.

Radicalismos como "diga não ao mel e ao iogurte" porque são fruto da exploração animal, não vão levar essas crenças a lugar algum. Na verdade atraem mais pessoas contra, porque quem quer ser acusado de maltratar animaizinhos quando está comendo um iogurte com mel no café da manhã, tentando ser saudável?!

Sim, nós estamos no topo da cadeia alimentar (por enquanto, pelo menos) e sim, podemos tratar melhor os animais, pelo bem deles, e pelo nosso. Você pode não querer viver apenas de alimentos que caiam do pé, e por outro lado não comer soja porque ela está acabando com as florestas do nosso país. Você pode achar a carne de vitela a mais gostosa que já provou e não resistir a um bom frango à passarinho. Fazendo com respeito à natureza, aos animais e também aos seres humanos, ninguém sai perdendo.

23.7.07

Caldo, o essencial

Certa vez eu dei uma receita aqui de uma sopa de milho da Kylie Kwong. Eu continuo achando que ela é uma das melhores que já provei, com sabores complexos e ainda assim complementares. Na minha opinião, para uma sopa assim dar certo, no entanto, é extremamente importante que o caldo usado seja "de verdade", e não uma simples água com um cubinho de caldo Knorr dissolvido.

Posso ser taxada de chata, fresca, o que for, mas não curto usar nenhum tempero que é comprado pronto. Desde cubinhos de "caldo de galinha", a tempero de miojo, cubos de sal para dar um "tok", ou aqueles que dizem ter um sabor caseiro. Dê uma olhada nos ingredientes, eu não achei nada "caseiro": sal, gordura vegetal, farinha de milho desgerminada, cebola, noz-moscada, extrato oleoso de urucum, salsa, extrato de carne e amidomodificado.

Se você fizer um caldo para uma sopa, por exemplo, usando água e uma dessas misturas artificiais, é assim que a sua comida será sentida, com sabor artificial, de mentira. É tão simples fazer um caldo leve de galinha, de legumes e até de carne, que não vale a pena desandar assim uma boa receita.

Recorrendo mais uma vez à Kylie Kwong, trago uma receita de caldo de galinha claro. Ele vai render uns 3 litros de caldo. Você pode congelar e sempre recorrer a ele quando for fazer um risoto, um molho e, claro uma sopinha para o inverno.

Uma dica para quando você não tem caldo congelado, ou tempo para preparar um, é refogar e depois cozinhar alguns legumes e ervas até que estejam bem moles, e usar essa água no lugar do caldo. Além de ser bem mais gostoso que aqueles temperos em cubinhos, é mais saudável. Aliás, você nem deveria comprar essas misturas. Eu costumo usar cenoura, gengibre, salsa, manjericão e salsão neste caso.

Caldo claro de galinha

Ingredientes
- 1 frango de aproximadamente 1.5 kg
- 4 litros de água fria
- 5 cebolas picadas
- 1 alho porró médio, lavado e picado
- 1 cenoura media, lavada e picada
- 2 talos pequenos de salsão, picados
- 8 folhas de louro
- 1/4 de maço de salsinha, picada grosseiramente
- 75 g de cabeças de alho, cortadas ao meio
- 1 col. (sopa) de grãos de pimenta branca
- 1 col. (sopa) de sal

Modo de Preparo
- Lave o frango e tire dele qualquer excesso de gordura, de dentro e fora de sua cavidade. Corte o frango em pedaços e o acomode em uma panela grande juntamente com os demais ingredientes. Leve à fervura, reduza o fogo e cozinhe lentamente, tirando com uma colher qualquer impureza e espuma que se forme na superfície.

O ideal é deixar cozinhando umas duas horas. Depois disso retire a panela do fogo, passe o caldo por uma peneira para restar apenas a água. Acomode o líquido em refratários que vão ao freezer e congele por uns três meses.

15.7.07

Pra quando a vida apertar

Tem épocas na vida nas quais nós temos que dar prioridade ao trabalho. Não tem jeito, se você está construindo uma carreira, vez ou outra isso acontecerá. Você passará 12h, ou mais, dentro do escritório, chegará em casa exausto e só querendo banho e cama.

Pra mim, é e sempre foi importante não resumir minha vida a trabalho e casa. Sair para espairecer é tão importante quanto ter uma boa noite de sono, porque você não descansa a cabeça dormindo, mas sim mudando o foco de atenção.

Com a cabeça razoavelmente descansada, você pode se esforçar um pouquinho e comer direito. Se não dá tempo de tomar café da manhã em casa, leve para o trabalho e tome lá, na frente do computador mesmo. Se não pode sair para almoçar, peça comida, ou leve de casa. Mas uma boa alimentação te dará a energia necessária para manter a máquina funcionando.

A dica do chocolate quente de manhã eu já dei aqui. Ele pode ser um bom incentivo pra você se mexer um pouquinho e ficar desperto. Agora, se você é daqueles que logo cedo precisa de um café mesmo, pra variar e dar mais graça a essa “vida dura” acrescente uma semente de cardamomo... o gostinho é interessante.

Mas e à noite? O que podemos fazer que vai nos dar um estímulo a mais, que é interessante o suficiente pra transformar um jantar cansado em uma refeição agradável para fechar o dia? Minha sugestão é uma salada vietnamita. Tudo bem que estamos no inverno e tudo que é jornal, guia e site de culinária está investindo em matérias sobre fondues, sopas e afins, mas que inverno é esse que atinge os 24ºC?

Essa receita eu peguei no programa da Nigella Lawson, que estava justamente no capítulo do que ela chama de comida saudável, pra quando você sente que precisa dar uma ajudinha para o seu corpo se manter funcionando.

Os ingredientes podem ser um pouco chatos de achar se você não está acostumado com comida oriental, mas aqui mesmo no Con gusto você encontra várias dicas de lugares para comprar o que você não encontrar no supermercado.

Salada Vietnamita

Ingredientes
- vagem ou ervilha torta
- broto de feijão
- 1 col (sopa) de gengibre ralado
- 1 dente de alho ralado
- 1 chilli vermelho sem semente picadinho
- suco de 1/2 limão grande
- 2 col (sopa) de fish sauce
- 2 col (sopa) de água
- 1 col (sopa) de açúcar
- 1 1/2 xícara de óleo vegetal
- 1 col (sopa) de óleo de gergelim
- macarrão de arroz
- 1 punhado de coentro
- camarão rosa cozido (cozinhe no vapor e ele mantém mais o sabor)
Defina a quantidade de vagem e broto baseada na quantidade de pessoas. O camarão para 6 pessoas deve ter uns 300g.

Modo de preparo
- Misture todos os ingredientes do molho.
- Escalde a vagem ou a cozinhe no vapor, para não perder a cor.
- Deixei o macarrão de molho em água quente por uns 5 minutos ou até amaciar.
- Junte todos os ingredientes exceto o camarão. Derrame o molho aos poucos, misturando com a mão. Coloque os camarões por cima, molhe-os com um pouco de molho.

11.7.07

Comidinha para impressionar

Você está a fim de impressionar alguém através da comida? Vai receber uns amigos, ou quer fazer um jantar especial para a comemoração de aniversário do primeiro beijo do casal? Bom, eu tenho uma dica para começar bem -você só tem que continuar lendo.

Segunda-feira passada, feriado em São Paulo, milagrosamente eu estava em casa descansando -minha mãe vai ficar orgulhosa de mim. Resolvi ligar a televisão e topei com o programa do Alex Atala e da Flavia Quaresma e, como sempre, xinguei o tempo todo por ver tanto talento acumulado em apenas duas pessoas.

O tema do episódio eram produtos orgânicos. Primeiro a Flavia foi a um empório fazer as compras. Mostrou um ingrediente mais suculento que o outro e até uns produtos que você se pergunta: "Como é que ele pode NÃO ser orgânico". Camarão é um exemplo. Como um camarão não é orgânico?! Superada a crise, você volta a se concentrar e vai descobrindo algumas maravilhas que vão brotando das mãos dela.

Uma delas é o que hoje nós podemos chamar de finger food, aquele tipo de comidinha servida em coquetéis, como entradinhas, aperitivos. E esta é a minha dica para você, que tá a fim de impressionar com uma travessinha dessas pequenas e bonitas delícias.

A combinação não é novidade, camarão com manga, mas os temperos que ela usou para temperar o fruto do mar dão gosto e cor incomuns e estimulantes. Segue a receita. Minha dica é colocá-los em uma travessa baixa, se possível de cor escura, para contrastar com o laranja da comida. Só não os monte com muita antecedência porque as folhas de manjericão não agüentam muito tempo bonitas.

Pincho de Camarão com Manga da Flavia Quaresma

Ingredientes
- 20 camarões médios e limpos
- 1 col (sopa) de tandoori (ou curry)
- 1 col (sopa) de páprika picante
- 1 col (sopa) de azeite
- 1 manga tommy ou haden
- 20 folhinhas de manjericão
- 20 palitos (tem palito com detalhes na ponta que ficam mais bonitinhos)
- sal e pimenta do reino branca moída na hora a gosto

Modo de preparo
-Coloque os camarões limpos numa travessa e temperar com o Tandoori e a páprika. Cobrir com um plástico filme e deixar na geladeira por 30 minutos.
- Corte a manga em retângulos de 2x0,5cm. Separe as folhas de manjericão e coloque numa travessa com água gelada.
-Retire o camarão da geladeira e tempere com sal e pimenta do reino branca. Aqueça bem uma frigideira antiaderente com o azeite de oliva e refogue os camarões. Retire do fogo e deixar esfriar.
-Monte os pinchos de camarão colocando o retângulo de manga sobre a área central do camarão. Espete a folhinha de manjericão no palito e em seguida a manga e o camarão.

4.7.07

Para os naturebas

Tenho uma amiga, daquelas amigas do peito, que deve ter acessado o blog uma única vez, por obrigação. Mas como ela é amiga mesmo, daquelas "pau pra toda obra", achei que merecia um post, mesmo que não o leia. Ela, vira e mexe, tem problemas no fígado, e aí fica sem comer determinadas coisas, para melhorar. Uma dessas coisas é o açúcar. Nada de doces.

Maníaca por muffins que estou, eu fiz ontem uma receita bem natureba, daquelas que você acha que não vai dar certo. Você olha com desconfiança para os ingredientes, enquanto prepara não coloca fé na massa e, quando está assando, vai de 5 em 5 minutos olhar o forno para ver se eles estão crescendo. E não é que estavam?!

A receita é de um livro novo que estou lendo, o "Purely Golden Door", de um spa australiano, na Golden Coast. Lá eles tentam manter a saúde através da alimentação, de exercícios e do descanso. Evitam óleo, farinhas brancas, açúcar branco e tudo aquilo que a gente acha gostoso e imagina que não dá para viver sem.

As receitas, devo admitir, são tentadoras. Até agora só fiz o muffin e achei que vale a pena. É claro que fiz algumas adaptações, especialmente porque nossas frutas são um pouco diferentes e porque eu não tinha farinha integral em casa. Você pode fazer as suas e arriscar. Saudável você sabe que estará.

Segue a receita para essa minha amiga, que vai precisar.

Muffin de maçã, nozes e maple syrup

Ingredientes:
- 2 maçãs descascadas e picadas miudinhas
-2 bananas bem maduras e picadinhas
- 85g de tâmaras secas picadas
-125ml de maple syrup
- 3 col. de nozes picadas
- 2 e ½ xíc. de farinha integral (eu usei a farinha branca mesmo)
- 1 col. (chá) de bicarbonato de sódio
- 1 col. (chá) de canela em pó
- água o quanto baste

Modo de preparo:
Ligue o forno em 180ºC. Misture todos os ingredientes à mão. Depois que estiverem bem combinados, acrescente 1/3 de xícara de água. Misture. A massa não pode ficar muito molhada, só precisa virar uma massa mesmo. Se precisar acrescente mais água. Se ficar muito molhada, ponha mais farinha.

Distribuía por 12 forminhas de muffin e asse por uns 25 minutos. Os fornos são muito diferentes, então é bom dar uma olhada antes.

2.7.07

Livrarias que te quero bem

Um dos meus programas preferidos no domingo à noite, num fim de tarde chuvoso, ou de preguiça é ficar numa livraria. Claro que a minha seção preferida é a de gastronomia e eu já estou ficando expert sobre as melhores lojas.

Hoje, muitas livrarias -e pude ver outro dia lojas de roupas e sapatos também- têm cafés para atender seus clientes. Você pode pegar o seu livro, revista, o que for, e folheá-lo enquanto saboreia uma bebida e até comidinhas. Nada melhor que comprar um livro tendo a certeza de que ele vai te interessar.

Para os livros de gastronomia isso é especialmente valioso. Muitas vezes você olha a capa de um livro estrangeiro, principalmente, e se empolga, mas ao ler suas receitas, ingredientes e modos de preparo, percebe que não é para você. Não adianta você pegar um livro de sobremesa que tem muitas receitas com ruibarbo, que não vai conseguir encontrá-lo facilmente no Brasil.

Uma das minhas livrarias prediletas é a Cultura. Lá você encontra de tudo e tem total liberdade para pegar vários livros de uma vez, sentar num canto e ficar horas lendo. A nova Cultura tem, inclusive, vários pufs para as pessoas ficarem deitadas curtindo.

Eu costumava ir muito à unidade do shopping Villa Lobos. Pegava, sem brincadeira, uns 15 livros por vez, sentava num banco próximo e ficava horas. Hoje vou mais àquela do shopping Market Place. A seção de gastronomia mudou recentemente de local, está mais no canto, é mais tranqüilo.

A da Paulista também é legal, mas ainda está muito movimentada para o meu gosto, talvez por ser novidade.

Uma livraria que tem me surpreendido é a Saraiva. Não gostava muito dela, mas sua seção de gastronomia só cresce, com títulos bastante variados, importados e nacionais. Os preços estão dentro do esperado, sendo que algumas vezes as promoções surpreendem. Vale a pena uma visita. Eu costumo ir à do shopping Morumbi, onde hoje tem uma Starbucks anexa (cara, é verdade, mas gostosinha).

A Fnac é bem ruinzinha, pra ser sincera. A seção de gastronomia parece que fica cada vez menor, sempre com os mesmos títulos, e com preços meio caros. Mas, pra ser sincera, faz um tempo que não passo por lá... vai que mudou?

A notícia triste é o fim da Mille Foglie, uma livraria especializada em livros de gastronomia que fica nos Jardins. Lá você encontra de tudo, até o El Bulli eles têm. Os preços são um pouco salgados para algumas coisas, as mais raras, mas as demais ficam dentro do mercado.

Neste mês eles estão com uma promoção de 30% de desconto porque a livraria vai fechar. Eu não sei o motivo, mas tinha uma coisa lá que me incomodava demais, e acho que pode ter incomodado, e afastado, muitos clientes. Para você entrar era preciso tocar a campainha. Você era atendido e ficava bem à vontade no espaço, mas como ele frequentemente estava vazio, era muito estranho ter só você e as vendedoras lá. O prédio é lindo, a decoração impecável, mas tinha esse detalhe. Espero que um dia sua dona possa abri-la novamente.

Livrarias menores, que ainda não são shoppings de livros e afins, valem mais a pena pelo clima gostoso e aconchegante. A Livraria da Vila, na Lorena, por exemplo, é pequena, não tem centenas de livros de gastronomia, mas tem uns títulos interessantes. O mais gostoso é você ir ao andar superior, no Il Barista, degustar um bom café. Tenho uma reclamação de lá, no entanto. A localização da seção de gastronomia é péssima. Ela fica no intervalo da escada que leva o subsolo ao térreo e andar superior. Sempre tem alguém passando e atrapalhando. Você não consegue ficar tranqüilo um só instante. E quem vai olhar livros de gastronomia, tem que ter tranqüilidade. Fica meu protesto.

Um outro lugar legal para ir é a Livraria Sobrado, que fica na Avenida Moema. A loja é mesmo um sobrado, com chão de taco e tudo, como numa residência. É super aconchegante, linda, "cool". A seção de gastronomia é boa, acho que não fica atrás da Fnac, e tem um café bem gostosinho, com sofás e poltronas pra curtir. A única parte ruim é não funcionar aos domingos.

Infelizmente não conheço nenhuma livraria pequenina, de bairro, ou até mesmo um sebo com bons títulos de gastronomia. Aceito, inclusive, sugestões.

29.6.07

Comidas de mamãe

Meu nome é Bianca e eu tenho uma amiga grávida. Uma não, na verdade são várias. Isso é meio apavorante porque indica, de uma certa maneira, que a minha vez vai chegar.

É engraçado como temos fases na vida. Tem o período do vestibular. Bum! Todo mundo ta prestando. Aí tem o período das formaturas. Depois dos casamentos... agora eu estou na fase da gravidez. Daqui a pouco teremos vários pequeninos chorando nos “dinner party”.

Enquanto os enjôos, inchaços e alterações de humor são por conta dessas minhas amigas, eu estou curtindo a situação – devo confessar que cheguei a pirar com esse surto de mulheres grávidas ao meu redor, mas já passou.

To curtindo tanto que prometi para uma dessas minhas amigas, que por sinal está ficando mais velha hoje, que escreveria um post para ela com uma receitinha de mamãe. Há tempos venho namorando um livro que parece delicioso pela capa, e que no recheio trás algumas receitas interessantes, é o “Receitas para a futura mamãe”.

Ontem fui a uma livraria em busca dele e me surpreendi com a quantidade de livros para grávidas que encontrei. Tem livro para grávidas vegetarianas, para uma gravidez toda orgânica, sucos para grávidas e, claro, para uma futura mamãe “normal”. São muitas opções, e a maioria é tentadora inclusive para aqueles que não estão grávidos.

Escolhi a receita que passaria para minha amiga mamãe com uma coluna que li recentemente em mente. Nela a escritora falava do desenvolvimento do paladar e de como é importante estimulá-lo com freqüência. Lembrei também de uma das histórias que meu sogro contou outro dia, sobre um rapaz que sempre come a mesma coisa nos almoços que eles fazem juntos. Nunca prova nada novo, nunca se arrisca. Vida triste.

Mas a informação que mais me influenciou nessa coluna foi a de que o bebê, desde o útero, sentiria os estímulos gustativos da mãe. Para isso, porém, seria importante que a grávida incitasse seu paladar, com gostos incomuns a ela.

A idéia ao escolher a receita que digo a seguir foi a de usar dois ingredientes que os brasileiros já estão acostumados, mas nunca juntos, e daí viria o estímulo. Segue, portanto, uma idéia nova de prato para as mamães, em especial para a mamãe aniversariante.


Lentilha com gengibre

Ingredientes:
- 400 g de lentilha
- 1 maço de coentro picadinho
- um pedaço de 2 cm de gengibre ralado
- 4 col. (sopa) de azeite
- 2 col. (sopa) de vinagre
- sal & pimenta

Modo de preparo:
- Cozinhe as lentilhas com água e sal até ficarem moles, mas não desmanchando
- Prepare o molho misturando todos os outros ingredientes
- Regue a lentilha com o molho e aproveite
- Lentilha combina bem com linguiças, se quiser um acompanhamento

28.6.07

Ah! O inverno...


Com a chegada do inverno e a obrigatoriedade de trabalhar (bons tempos aqueles que tínhamos férias escolares!!) uma das coisas mais gostosas para ajudar a enfrentar o longo dia de trabalho é chegar à sua mesa com uma caneca quentinha de chocolate quente, mas o de verdade!

Tá certo que engorda, não tem como mentir, mas se você está em forma e o consumir com moderação, não enfrentará problemas. Assim como o cafezinho tão habitual aos brasileiros, o chocolate também tem cafeína, que é um estimulante, par perfeito para uma segunda-feira logo cedo.

Possuidor de substâncias químicas que viciam, como a anandamina, que estimula o cérebro produzindo uma sensação leve de bem estar, o chocolate também tem efeitos sobre a serotonina e dopamina, que regulam nosso humor. Eu não poderia pedir mais nada dele.

Uma boa dica para carregar a bebida, que provavelmente você fará em casa, e mantê-la quente são aquelas canecas térmicas. Hoje elas podem ser encontradas em lojas de utensílios para cozinha e até em bons supermercados. Uma dica é procurar nas lojas da Liberdade, que têm diversos modelos a bons preços.

Aqui deixo duas versões. Uma matinal e uma que pode ser feita à noite, para esquentar depois de um banho gostoso.

Chocolate quente matinal

Ingredientes:
- 1 xíc. de leite integral
- 1 pau de canela
- 1 col. (sopa) de mel
- 1 pitada de açúcar mascavo
- 1 col. (sopa) de essência de baunilha
- ½ barra de chocolate meio-amargo

Modo de Preparo:
- Aqueça todos os ingredientes, exceto o chocolate. Quando estiverem no ponto de fervura, abaixe bem o fogo e acrescente o chocolate. Mexa até dissolver. Retire a canela para beber.

Chocolate quente noturno

Ingredientes:
-Os mesmos ingredientes do chocolate quente matinal mais um gole de rum de boa qualidade

Modo de Preparo:
-Igual ao do chocolate quente matinal, mas você acrescenta o rum juntamente com a barra de chocolate.
-Agora, divirta-se!

27.6.07

Devagar e sempre

Você é uma daquelas pessoas que detesta ir ao supermercado? Fica irritado só de imaginar pegar fila, trombar com pessoas e carrinhos pelos corredores, ter que olhar data de validade e prestar atenção no número de calorias daquela bolacha?

Que tal mudar seu modo de ver essa experiência e se divertir um pouco? Se possível vá acompanhado, serve namorado, esposa, amigos e até mãe. Procure não comprar tudo em um só lugar e também não de uma vez. Por exemplo, ao invés de ir na seção de verduras e escolher uma caixinha de cogumelos já toda suada no supermercado perto da sua casa, pegue um sábado e vá até a Liberdade. Qualquer lugar lá vende vários tipos de cogumelo fresco e mais barato.

Quer comprar frutas e verduras? Vá à feira. Tem feira todo dia em todo canto. Se não dá durante a semana, vá no final de semana, nem que seja de 15 em 15 dias. E até dá para ir sem tomar café, mesmo que você não seja fã do tradicional pastel, hoje em dia encontra tapioca, bolinho disso e daquilo. Fora os inúmeros pedaços de fruta que os feirantes praticamente socam na sua boca no caminho pelos corredores barulhentos.

Agora, se você quer ovos, o lugar é outro. Vá ao Mercado Municipal de Santo Amaro. Lá perto do Largo 13. Você pode encontrar ovos caipira (de verdade, com a gema vermelinha!), orgânicos, os dois juntos, de pata, de codorna e não duvido que encontre de avestruz um dia desses. A banca fica lá no fundo do mercado, num cantinho.

Nesse mesmo local você também encontra queijos ótimos a um preço justo. Pertinho da banca de ovos, também na última rua do mercado, tem uma loja onde é possível encontrar um queijo tipo brie feito em Minas Gerais fantástico, sucesso absoluto. Produtos alemães lá também são comuns, e bons. Os comerciantes e fregueses são muito amigáveis. Todo mundo se conhece e se trata bem, é até assustador, visto que nossa sociedade não é da mais educada.

Se você acha Santo Amaro muito longe, tente o Mercado Municipal do seu bairro. Lá você também encontrará produtos frescos e mais em conta.

Para comprar temperos a dica é mesmo criar coragem, respirar fundo para enfrentar o trânsito e a multidão, e ir até o Mercadão Central. Lá tem o que eu chamo de “mundo dos temperos”, algumas bancas lotadas de saquinhos de ervas pendurados. Se você entra em uma delas, se sente em outro mundo e acha coisas de outro mundo mesmo.

Aproveite que está lá para comprar carnes. As bancas do Mercadão têm produtos realmente frescos e alguns exóticos. A mais famosa é a banca Porção, com atendimento simpático, apesar de apressado.

Já no supermercado tradicional, a dica é ir ao maior que você encontrar. Os corredores serão mais espaçosos e o desespero de ter gente travando o caminho será bem menor. Lá, procure se divertir. Na seção de macarrão, por exemplo, compre um mac&cheese industrializado, podrão mesmo, “só para provar”. Descubra, na sessão de bolachas, uma que vai ao freezer uma hora antes para virar uma coisa diferente, que não parece com nada a não ser uma bolacha gelada.

Veja a geladeira de congelados, você vai se surpreender com as coisas que eles conseguem congelar em escala. Fique longe das carnes e peixes, por favor. Mas dê uma olhadinha nos iogurtes, sempre vai ter um que te deixará com água na boca. Passe na seção de águas, compre uma com gás, diferente das demais e, claro, descubra a última novidade em termos de miojo, você verá que é igual as anteriores.

Serviço:

Na Liberdade:
Mercados das ruas Galvão Bueno e dos Estudantes

Algumas boas feiras:
-Rua. Cel. Oscar Porto – Paraíso (domingo)
-Pacaembu (sábado)
-Rua Carneiro da Cunha – Vila da Saúde (domingo)

Mercadão:
Rua da Cantareira, 306

Mercado Municipal de Santo Amaro:
Rua Padre José Anchieta, 577
Tel: 5687-2808

26.6.07

A primeira refeição

Eu acordo faminta. Louca para tomar café da manhã. Pão com manteiga na chapa, suco de laranja e café preto já me fazem feliz. Quando tem algo doce para acompanhar então... perfeito!

Conversando com uma amiga sobre ginástica e a falta que faz a prática de exercício, lembrei de uma época que vivi há alguns anos. Eu acordava muito cedo, umas 5h30, 6h da manhã, para nadar. Fazendo sol ou frio, lá estava eu, de maiô e touquinha.

Encontrava meu pai na academia. Ele numa piscina, eu na outra, cada um fazia a sua aula. De lá íamos para o alongamento e ríamos até, já que ele nunca conseguia se esticar o suficiente. E então a recompensa por todo o esforço, um café da manhã na melhor padaria da cidade.

Seguíamos direto para o balcão de lanches e invariavelmente eu pedia o queijo branco e quente, que eles temperavam direitinho. Ficava muito saboroso, com aqueles gostinhos já impregnados na chapa. Pra ajudar a descer, um suquinho de laranja. Saudades...

Hoje, continuo criando hábitos de café da manhã. Naqueles finais de semana nos quais não tenho que trabalhar, faço da primeira refeição do dia algo longo, caprichado. Se estou em casa, invento vitamina, panqueca, omelete, já cheguei até a acordar o marido com cheirinho de bolo recém assado.

Mas quando faltam ingredientes, ou bate aquela preguiça, apelamos para as padarias e afins. Uma delas fica na Av. Santo Amaro, a Tortula. O buffet de final de semana lá é caprichado, com muitos petit fours, diversos pães, frios, bolos, doces mais doces, sucos e café com leite, claro. Sai caro, mas vale a pena para alguém que, como eu, é capaz de ficar horas lá comendo.

A mais nova descoberta, no entanto, foi uma surpresa. O NYC NYC, uma lanchonete na Av. Berrini que atende aos esfomeados trabalhadores paulistanos todo dia na hora do almoço, também tem boas opções para se comer pela manhã.

Eu, claro, sempre peço o “big NYC”, ou algo que o valha. Você recebe uma baguete e pode escolher entre cream cheese, geléia e manteiga. Um waflle quentinho feito na hora que também pode receber diversas coberturas - como frutas vermelhas, chocolate e limão -, iogurte com mel e cereais, suco de laranja e uma bebida quente. O “Caramel” deles é gostoso e o “Moccha”, um capuccino abrasileirado que vem com chocolate além do café e leite, também.

O brownie, enorme, também é gostoso, mas poderia ser mais molhadinho. Já o cookie, igualmente grande, é mais crocante e “recheado”. Vale a visita, eu sempre volto lá.

Agora, se você se inspirou para fazer algo no conforto de sua casa, segue aqui uma receita de panqueca diferente, pra sair mesmo do comum.

Panquecas de queijo cottage

Ingredientes:

- 2 xíc. de morangos
- 2 e ½ col. (sopa) de açúcar
- ½ col. (sopa) de vinagre balsâmico
- 3 ovos separados
- 2 col. (chá) de essência de baunilha
- 1 xíc. de queijo cottage
- 1/3 xíc. de farinha de trigo

Modo de preparo:

- Pique os morangos já limpos e lavados, misture-os com ½ col. (sopa) de açúcar e com o vinagre balsâmico. Deixe reservado
- Misture em uma travessa as 3 gemas, o queijo cottage, o restante do açúcar, a essência de baunilha e a farinha
- Na batedeira, bata as claras em ponto de neve. Misture delicadamente com a mistura da farinha e queijo.
- Em uma frigideira antiaderente quente coloque conchas da massa e aqueça-a dos dois lados, até que fique firme.
- Sirva com a mistura dos morangos por cima

22.6.07

Oliva

Ontem fui jantar num restaurante que se chama Oliva, bem pertinho da Berrini. Quem pensa que ali não tem vida à noite está enganado. Alguns poucos, mas bons, restaurantes ficam abertos depois que as empresas fecham. E este é um exemplo.

Pequeno, com clima de Toscana, tem no fundo do salão (dividido por paredes com janelas que imitam a fachada de uma casa) uma fonte de água, com aquele barulhinho gostoso. O atendimento é muito educado e você recebe vários “Boa noite, obrigado”, ao sair.

Na frente da casa, um pequeno jardim com mesinhas. Em uma noite com temperatura agradável, tomar um café ali, ou aperitivos, pode ser uma boa idéia.

A cozinha investe na culinária mediterrânea, com boa opção de massas e risotos. Uma das minhas dicas é justamente o risoto de camarão, talvez o mais gostoso do cardápio. Com tiras de presunto parma e ervilhas, tem um sabor complexo, mas sem confundir.

Já o risoto de aspargos, alho poro e abobrinha vem numa boa consistência, macio e cremoso, responsabilidade do queijo de cabra que está na receita. Apesar de o cardápio dizer que há um leve toque de limão siciliano, não o senti. O que, no entanto, não compromete o prato. Simples, sem grandes complexidades, cai muito bem para aqueles dias que você quer simplificar e dormir leve.

Outro prato que agrada é o salmão ao molho de mel de laranjeira e limão siciliano. O peixe vem no ponto certo e o molho é mais para o doce que salgado. O acompanhamento, um couscous de legumes, combina, apesar de não ser sensacional.

O couvert, a R$ 5 por pessoa, o que é um bom preço se comparado a muitos restaurantes da cidade, é bastante equilibrado. Composto por um pão macio bastante gostoso e salgadinho, pedaços de pão italiano e grisinis temperados, combina com dois patês (um com gostinho de molho tártaro e outro de berinjela muito suave), manteiga e azeitonas suculentas.

Para a sobremesa só não aconselho o tiramissú, que é bastante diferente do que esse doce deveria ser. Ao invés de macio, vem com pedacinhos que lembram a ricota e isso já é suficiente para estragar a experiência. O tortino de cioccolato agrada àqueles que gostam de chocolate, mas melhor é o Pescajus Catalán, um crepe com recheio de creme pâtisserie coberto com calda de chocolate e amêndoas laminadas.

No fim, o Oliva proporciona uma boa experiência, especialmente com os salgados. O ambiente te faz relaxar e esquecer que está na “boca” de um dos maiores centros comerciais da cidade, mostrando o lado diversão do Brooklin e te tirando do circuitozinho Jardins/Pinheiros/Vila Olímpia.


Serviço:
Rua Nova Independendia, 98 – Brooklin
Tel: (11) 5505-4755

21.6.07

Ah! A Berinjela!


Tem coisa mais bonita que a berinjela? Roxa, quase preta, ela tem a pele lisinha e firme, é gordinha numa das pontas e pescoçuda na outra. Quem foi o primeiro cidadão que teve a coragem de comê-la? Bendito seja!

Aqueles que nem chegam perto desta delícia, que me perdoem, mas hoje quero falar da berinjela!

Segundo alguns historiadores, no início ela era cultivada como planta ornamental na Índia, há cerca de quatro mil anos. Ela só teria chegado à Europa no século XIII através dos árabes na Espanha, que são grandes apreciadores do fruto.

No Brasil, a mais comum é a roxa mesmo, que se adapta bem ao clima tropical, mas ainda podemos encontrar em boas feiras e sacolões aquelas brancas, rajadas de roxo. Na Itália, existem ainda umas mais redondinhas, que chegam a parecer uma abóbora, só que na cor vermelho cereja. Há também aquela que é toda branca e umas que têm o formato de uma pimenta.

Além do gosto marcante, que pode combinar com inúmeros temperos graças à sua natureza de esponja, que absorve facilmente outros ingredientes, a berinjela também faz bem para a saúde. Alguns estudos revelaram que ela ajuda no controle do colesterol, da pressão sanguínea, também auxiliando com problemas de fígado e estômago.

À parte bizarrices como sucos de berinjela de manhã para emagrecer, inúmeros pratos podem ser criados com esta maravilha. Um muito tradicional da culinária grega é a musaka, uma lasanha de berinjela fantástica, que em São Paulo pode ser deliciada em sua plenitude no Acrópoles, no Bom Retiro. Outro é a caponata, feita muito bem pelos italianos do Bixiga, ou ainda um curry vegetariano da Índia.

Ontem eu resolvi me dar de presente uma massa com a bendita, que em casa só é apreciada por mim. Fiz às pressas, meio atrasada para a aula, e não é que ficou fantástica? Até tive que trazer um pouco para comer no trabalho, pra não ficar com muita saudade.

Segue então esta receita ótima, fácil e deliciosa para os que, como eu, ficam com a boca cheia d’água só de ouvir falar na berinjela.

Espagueti com molho de berinjela
(4 porções)

Ingredientes:

-300 g de espagueti
-125ml de azeite
-1 cebola bem picadinha
-3 dentes de alho esmagados
-400 g de berinjela picadas
-1 col. (sopa) de vinagre balsâmico
-2 tomates picados
-3 col. (sopa) de manjericão picado

Modo de preparo:

-Cozinhe a pasta al dente.
- Esquente 1 col. de azeite numa panela grande e refogue a cebola e o alho por uns 5 minutos ou até a cebola dourar. Mexa sempre para o alho não queimar. Retire da panela e reserve.
- Coloque metade do azeite restante na mesma panela, acrescente metade da berinjela e frite, mexendo sempre, até que ela fique escura. Retire e repita a operação com a outra metade da berinjela.
- Volte todos os ingredientes para a panela (a berinjela reservada e a cebola com o alho), acrescente o vinagre, o tomate e o manjericão. Refogue por mais uns 5 minutos, até que tudo esteja aquecido por igual. Apague o fogo, salgue conforme seu gosto e misture ao espagueti cozido.
- Bom apetite!

20.6.07

Pra hora da preguiça

Nesta semana, graças a essa maravilha que é a internet, troquei algumas palavras com uma amiga que não devo ver há quase um ano. Ela me falava que aos sábados, após sua aula, se rende aos restaurantes por quilo da região. Comida é comida, você diria. Mas eu não concordo. Poucas coisas são mais prazerosas pra mim que usar um sábado e domingo para cozinhar algo especial, mesmo que rápido e pouco trabalhoso. Só o fato de você escolher e cuidar do que vai comer, sentar num ambiente agradável (sua casa deveria ser assim para você) e almoçar com calma, faz toda a diferença.

Hoje, a maioria desses chefs que têm programas na televisão difunde receitas fáceis e simples de preparar. A Nigella Lawson, por exemplo, costuma dizer uma frase que me anima: “Máximo prazer, com mínimo esforço”. E foi aí que pensei em dar uma luz a essa amiga.

Nessas horas de pressa, preguiça ou canseira, uma massa sempre é uma salvação. Difícil encontrar alguém que não goste de um bom macarrão e mais difícil ainda alguém que não seja capaz de prepará-lo. Nada de molho pronto de latinha, por favor, ou daquele pacotinho de tempero do miojo. Use produtos frescos e você não irá se arrepender.

Pra começar, uma boa massa sempre cozinha rápido. Depois de ferver a água, coloque a pasta escolhida na panela e você deverá tê-la pronta em uns 10 minutos. Não deixe passar do tempo para ela não ficar grudenta e muito mole. Prove de quando em quando pra não errar.

E para evitar aquele tradicional molho de tomate - que por sinal pode ficar fantástico com a fruta certa e a quantidade adequada de manjericão fresco -, você pode bolar na hora um molho de queijo. Que te parece? Uma lata de creme de leite, um pedaço de queijo gorgonzola e um pouco de manteiga podem resultar num penne al formaggio (só pra impressionar). Interessou? Então segue uma receita explicadinha pra não ter galho.


Macarrão com molho de gorgonzola

(para umas 4 pessoas como prato único)

Ingredientes:

- 500g de penne
- 30g de manteiga
- 1 lata de creme de leite ou 500 ml de creme de leite freco (melhor)
- 350g de gorgonzola (do bom, bem verdinho)
- Noz-moscada
-Queijo parmesão para polvilhar

Modo de preparo:

-Ferva água suficiente para cobrir os pennes. Coloque a massa na panela com sal e cozinhe até ficarem al dente (moles, mas com uma pequenina resistência).
-Enquanto eles cozinham, pegue uma panela larga, que pode ser baixa, e a esquente. Derreta nela a manteiga e depois despeje o creme de leite. Deixe que ele chegue quase a ferver.
-Neste ponto acrescente o gorgonzola despedaçado e misture até que ele dissolva. Rale um pouco de noz-moscada em cima.
- Voilà! O molho está pronto. Junte a massa cozida a ele e rale em cima o parmesão. Faz toda a diferença ser um queijo ralado na hora, no ralador grosso.

Divirta-se e bom apetite!

19.6.07

Você tem uma receita para compartilhar?

Uma amiga me encaminhou uma daquelas correntes nas quais você manda uma receita para alguém e teoricamente recebe outras 20. A primeira coisa que pensei foi: “Onde vou encontrar 20 pessoas que tenham receitas interessantes para compartilhar e que não vão xingar a minha mãe quando receberem a tarefa?”.

Resolvi dar o primeiro passo, que era enviar para o primeiro nome da lista uma receita. Pronto. Essa é fácil. Tenho várias preferidas, poderia fazer um caderno delas e enviar para ele pelo correio.

O segundo passo foi doloroso, mas saiu. Aposto que 90% das pessoas não vão participar, mas selecionei amigos que têm a acrescentar. Uma delas tem família grega e faz umas receitas diferentes, com temperos pouco usados no Brasil e que dão um toque todo exótico aos pratos.

Outra é brasileira, de família japonesa e que mora nos Estados Unidos. Ela me contou que lá anda fazendo umas coisas gostosinhas e eu sei que tem mão boa para doces e bolos. Um outro amigo, que também é cunhado, já morou na Polônia e Hungria, adora cozinhar e vive trazendo novidades. E tem ainda a amiga preguiçosa, que vive querendo aprender a cozinhar, mas que confessa comer no shopping depois de suas aulas de flamenco. Ela faz charme, mas sei que tem seus segredos. E, como não poderia faltar, tem mamãe, que apesar de sempre dizer que não sabe cozinhar, tem uns pratos que só ela faz daquele jeitinho.

Dessa corrente espero aprender coisas novas, mas também passar as receitinhas que mais gosto. Aproveitando a onda, vou colocar uma aqui que testei há alguns meses e que fez sucesso.

Muffins de Caqui

Ingredientes:

-Polpa de 1 caqui grande (retire com colher)
-1 colher (sopa) de fermento em pó
-100 g de margarina (1 tablete)
-1 xícara de açúcar
-2 ovos
-1 1/2 xícara de farinha de trigo
-100 g de iogurte natural com mel (meio pote)
-1 pitada de sal
-1 colher (chá) de canela em pó
-1 colher (chá) de essência de baunilha
-1 colher (chá) de suco de limão
-2 colheres (sopa) de Bourbon (opcional, ou conhaque)

Modo de Preparo:

1. Pré-aqueça o forno a 200°C.
2. Em uma tigela média, misture o caqui amassado ao fermento em pó e reserve.
3. Em outra tigela ou na batedeira, bata a margarina e o açúcar até virar um creme. Acrescente os ovos e bata mais. Sem bater muito, vá adicionando a farinha, o sal, a canela, o iogurte, a baunilha, o suco de limão, e o bourbon. Por último, acrescente a mistura de caqui com o fermento e mexa delicadamente.
4. Unte uma forma para 12 muffins ou use forminhas de papel. Encha as forminhas até 2/3 da capacidade. Asse por 15 a 20 minutos ou até dourar.
5. Eles ficam bem molhadinhos

7.5.07

Nova opção na Paulista

Os paulistanos têm uma nova opção para comer barato e rápido na região dos cinemas da Paulista. É o Tollocos, que fica praticamente em frente ao Espaço Unibanco.

É muito comum as pessoas comprarem seus ingressos para um filme e procurarem alguma coisa rápida para comer. Rápida e barata. E é aí que o tão freqüentado Pedaço da Pizza sai de cena. No começo a pizzaria era barata e servia pedaços realmente grandes, saborosos. Hoje, a qualidade da comida caiu e os preços subiram. Sucesso absoluto, o dono achou que poderia fazer isto.

O Tollocos é uma cópia tex-mex do Pedaço da Pizza, mas ainda com pratos mais em conta. O espaço não é tão aconchegante quando o concorrente do outro lado da rua, mas é novo, bonito e limpo. Os atendentes, tanto do balcão, quanto os cozinheiros, são simpáticos e alertam para a pimenta dos ingredientes.

O cardápio é variado, os mais conhecidos do público paulistano são os tacos -aqui na versão norte-americana do prato mexicano, servido em uma concha de massa de milho -, burritos e nachos. Você pode montar o seu recheio, ou escolher aqueles que já estão prontos, em um cardápio exibido na parede.

O molho de sour cream deles é gostoso e o guacamole vai coentro, o que pra mim é essencial. O taco de carne tem sabores simples, mas que combinam. É pequeno, mas só custa R$ 2,90. A porção de nachos é boa, mas da próxima vez eu pegaria dois molhos. Com guacamole ela custa R$ 5,50, com molho extra se acrescentam R$ 2,00.

Os burritos também são bons. Os que vão cheddar dão uma base legal, como o burro texano, e os médios servem muito bem para tapear a fome antes de um filme. Eles custam R$ 6,90.

O maior problema da loja, no entanto, é que abre apenas depois das 18h00 no domingo, dia tradicional de cinema. Nos demais abre desde o almoço.

Uma refeição pode ser emocionante?

Você já se emocionou comendo? Será que isto é possível? Bom, pra mim é. Pelo menos foi, uma vez.

Faz um mês, mais ou menos. Fui jantar num restaurante nos Jardins, em São Paulo, que se chama La Risotteria, do Alessandro Segato. Cheguei imaginando se tratar de um restaurante mais simples, tipo bistrô, com clima aconchegante, moderno e clean. Encontrei o oposto.

O restaurante é caprichado, chique. As pessoas, a maioria acima dos 50, também são chiques. Apesar de usar aparatos mais descontraídos, como raladores no lugar de lustres, e garrafas usadas na decoração das janelas, ele ostenta riqueza em itens como copos e taças, mesas e cadeiras, e na própria arquitetura do prédio.

Sentei acanhada no meu lugar e comecei a ver o cardápio. Em um restaurante chamado La Risotteria eu nem pesava em pedir algo diferente de um risoto. Tinha que provar o risoto, mas antes, tinham o couvert e a entrada.

Foi possível ver que o couvert era caprichosamente pensado. Mini-legumes crus servidos em taças lindas, pãezinhos quentinhos e diferentes, vira-e-mexe renovados pelo garçon, grisinis, e dois diferentes tipos de patês já dão a idéia de que a refeição será especial.

Para entrada pedimos uma salada de maça, salsão, frutos do mar, mel e gengibre. Saborosíssima, ela vem servida dentro de uma maçã verde, muito charmoso. O doce do mel misturado com o sabor peculiar do salsão é uma combinação inesperada e de sucesso.

Como prato principal pedimos dois risotos. Um de carne de caça e cogumelo porcini e (é aqui que entra a emoção) um de cogumelos frescos do bosque e foie gras fresco. O primeiro estava muito gostoso. Pesado, com gosto de carne de caça mesmo, forte, e com cogumelos em abundância.

Já o segundo foi emocionante - literalmente. O único e pequeno pedaço de foie gras que tinha no prato de arroz valeu toda a refeição. Fresco, como dizia o cardápio, ele tinha o sabor mais incrível que já provei. Intenso, salgado, levemente picante e com aquele gosto indescritível que só as coisas incríveis têm. Não era qualquer foie gras, ele sumiu na boca aos poucos, e me deu lágrimas nos olhos.

Depois disso, a sobremesa era desnecessária, até não recomendável. O melhor seria permanecer com aquele sabor na boca. Mas graças à Deus eu pedi um doce. O meu foi o tiramissú. Clássico, receita de Veneza. A massa era fina, apenas na base. O restante era creme de mascarpone, muito leve, derretia na boca. Perfeito para encerrar uma refeição emocionante. O café? Este eu dispensei, mas os que o pediram recebiam junto uma taça com balinhas coloridas de goma. Um charme.

Hoje estou com alergia!


Hoje estou com alergia. Espirro é de minuto em minuto. Os olhos coçam e o sono é arrebatador. Quem tem sabe. Nesses dias o que mais desejo é chegar em casa, me aconchegar no sofá e tirar um cochilo. Daqueles rápidos, mas profundos. Pode cair a casa que você não acorda porque é mais forte que você.

Depois disso a vida parece outra, renovada. Você já consegue respirar (quase) normalmente e tem uma vontade grande de “comer alguma coisa gostosa”, daquelas que você come por gula, que só trará prazer e talvez um pneuzinho a mais.

A partir daí ou eu vou até a esquina e compro um Rochinha, ou sento calmamente para escolher algo dos meus livros para cozinhar. Dependendo do horário, escolho doce ou salgado. Hoje, como só devo chegar em casa depois das 17h30, vou escolher o jantar.

Acreditem ou não, sopa é uma das minhas refeições prediletas. Não precisa ser elaborada, não. Pode ser uma simples sopa de legumes, ou um caldo verde. Contanto que seja caprichada, feita com ingredientes bons, é sempre uma comida de aconchego. Tudo o que preciso num dia desses!

A receita que passo a seguir peguei num livro da Kylie Kwong, uma chef australiana, descendente de chineses. Ela mostra a culinária oriental da forma mais clássica e criativa possível, se é que posso usar estes dois adjetivos juntos.

Suas receitas são modernas, mas ao mesmo tempo usam ingredientes clássicos e básicos. Neste livro que comprei recentemente (e que é lindo!), por exemplo, há um capítulo apenas para tratar do tofu. São pratos com tofu frio, nas saladas; quente, nas sopas; e até grelhado. Tentador.

A sopa que escolhi é simples, de milho, mas extremamente saborosa, cheia de nuances e gostos que estimulam o paladar. Os ingredientes podem ser encontrados em empórios orientais. Em São Paulo o mais fácil é ir até a Liberdade fazer um passeio por seus mercadinhos, se divertir, e depois preparar a sopinha.

Sopa de Milho

Ingredientes

- 4 espigas de milho ou 3 xíc. (pode ser milho congelado, mas não o de latinha)
- 2 col. de sopa de óleo vegetal
- 1 cebola branca pequena bem picada
- 2 col. de sopa de gengibre à julienne
- 1 dente de alho bem picado
- 1 col. de chá de sal marinho
- 1/2 xíc. de chá de shao hsing (um vinho chinês para culinária)
- 7 xíc. de chá de caldo de galinha leve
- 1 e 1/2 col. de chá de shoyu
- 2 ovos levemente batidos (deixe para bater no momento em que for usá-los)
- 1 col. de sopa de cebolinha bem picadinha

Modo de Preparo:

- Retire os grãos de milho da espiga usando uma faca afiada (se estiver usando as espigas)
- Aqueça o óleo em uma panela pesada média e doure a cebola, o gengibre, o alho e o sal por 1 minuto. Adicione o vinho chinês e refogue por outro minuto ou até o líquido se reduzir pela metade
- Acrescente o milho e o caldo no refogado e leve à fervura. Abaixe o fogo e cozinhe assim por uns 30 minutos
- Durante o tempo de cozimento você pode precisar tirar qualquer espuma ou impurezas da superfície. Para isto, use uma escumadeira ou colher de servir
- Acrescente o shoyu e mantenha o fogo baixo. Lentamente coloque os ovos na sopa e os misture lentamente com um garfo
- Remova a sopa do fogo assim que os ovos formem "estrias"
- Sirva em bowls (tigelinhas) e salpique as cebolinhas por cima

Ao menos tente com brioches

Eu achava que fígado era uma comida que não atraia muitas pessoas. Talvez por seu cheiro forte, sua aparência viscosa e molenga, ou simplesmente por ser fígado. Ultimamente, no entanto, tenho descoberto que muitos amigos apreciam a carne acebolada, daquele jeitinho que toda avó ou mãe sabe fazer.

Na semana passada, enquanto organizava o cardápio de uma festa que eu faria, pensei no foie que os franceses tanto apreciam. Queria servir patê de fígado com brioche, uma combinação excelente porque o doce do pão ameniza a força da carne.

Tive uma grata surpresa com o sucesso que o quitute fez. Sim, todos o acharam forte, mas por ser “de fígado de verdade” ele fica autêntico e saboroso. Fora que o aroma muda. Ao invés daquele cheiro típico desta carne, fica perfumado, com um cheiro salgado.

Pra acompanhar o patê além do brioche, eu também gosto do pão italiano. Fazer um sanduíche também não vai nada mal. Pão italiano, patê de fígado, folhas de agrião e tomate cereja salgadinho regado com um bom azeite é perfeito para uma tarde ensolarada de sábado. Acompanhado de cerveja, fechou!

Segue abaixo a receita de patê que eu usei e deu muito certo:

Ingredientes

- 150g de manteiga gelada
- 1 cebola picada
- 500g de fígado de galinha limpo (sem nervos ou partes esverdeadas)
- ¼ xic de conhaque
- Sal e pimenta do reino

Preparo:

Em uma frigideira grande derreta 50g da manteiga, doure a cebola e acrescente o fígado. Deixe ele cozinhar. Quando perder a cor vermelha e ficar opaco, mas já cozido, desligue o fogo, Deixe amornar e bata no liquidificador até virar uma pasta lisa.

Na mesma frigideira coloque o restante da manteiga e espere até começar a derreter. Acrescente o conhaque e deixe ferver. Acrescente a pasta de fígado. Deixe ferver de novo. Acerte o sal e a pimenta. Coloque no refratário onde servirá e deixe na geladeira coberto por filme plástico por pelo menos 3 horas.

9.4.07

A sogra

Viajar no feriado é uma coisa que muitas vezes não vale a pena. Tem todo o trânsito para entrar e sair da cidade, geralmente os lugares turísticos estão abarrotados de gente e os preços estão sempre mais altos que no restante do ano. Mas mesmo assim a gente vai, né?

Na Páscoa estive em Paraty e uma camiseta dessas para turista me lembrou do post que eu queria colocar aqui há um tempo. Nela dizia: “Sogra boa é a da minha mulher”. Pegou? Isso me fez lembrar da minha sogra, que é uma das minhas leitoras mais assíduas.

Outro dia cheguei à sua casa e ela estava preparando uma receita que passei aqui no Con Gusto. Fiquei muito feliz e quis prestar um pequeno agradecimento passando uma receitinha bem simples, mas que fica muito saborosa para acompanhar uma salada que ela costuma fazer com os verdes da sua horta, sempre frescos.

Shimeji puxado na manteiga

Ingredientes:
- 200g de cogumelo shimeji (o shitake tbm fica gostoso)
- 50g de manteiga
- 1/3 xíc. de shoyo
- 1 punhado de cebolinha picada em rodela

Modo de preparo:
-Limpe bem o cogumelo e separe seus raminhos (no caso do shitake corte em tirinhas)
-Derreta a manteiga em uma frigideira, quando ela começar a fazer espuminha, acrescente o cogumelo, refogue por um minuto mexendo sempre. Acrescente o shoyo e refogue por mais meio minuto ou até o molho reduzir um pouco e ficar meio “meloso”.
-Tire da frigideira e já no prato de servir coloque a cebolinha por cima.

Esta receita ficar ótima com a saladinha abaixo:

Salada de escarola com alho

Ingredientes:
- 1 xíc. de escarola picada (de preferência em tirinhas)
- 2 dentes de alho picadinhos (isso é muito de gosto, se preferir altere esta quantidade)
- vinagre balsâmico
- azeite
- sal

Modo de Preparo:
-Arrume a escarola lavada no prato de servir
- Refogue o alho no azeite quente, mas não pelando, até ele dourar (não deixe passar disso para não amargar). Tire imediatamente da frigideira e espalhe sobre a escarola.
- Tempere com sal e vinagre balsâmico conforme seu gosto (coloque pouco e vá provando até achar o ponto ideal para o seu paladar).

Esta salada fica sensacional com um pão fresquinho para acompanhar.

22.3.07

Egoísmo na cozinha

Eu acho que o cozinheiro é uma pessoa egoísta. Quando estamos cozinhando, dá muito prazer ver os ingredientes se transformando num prato cheiroso, colorido, apetitoso. Depois que ele vai para a mesa, dá um prazer tão grande quanto ver os comensais se deliciando, e aí novamente o prazer é do cozinheiro.

Isto ficou muito claro pra mim recentemente, quando comprei um livro que se chama “How to be a domestic Goddess”. Achei o título ótimo. A autora é Nigela Lawson, a pop cozinheira inglesa, que mostra suas formas recheadas na televisão com pratos que não têm o menor pudor de irem na contramão do light e diet.

O livro é basicamente sobre bolos e afins e ele me estimulou a usar o forno lá de casa. Mas o mais legal foi que me deu idéias para agradar a amigos e familiares – e de tabela a mim mesma. Depois de ler e reler as receitas, escolhi uma para cada amigo, de acordo com o gosto deles.

Depois veio a parte de testar cada prato. Uns dão mais certo que outros, e um dos preferidos foi o bolo de banana, cuja receita está abaixo. Ele ficou bem molhadinho, perfeito para o café da manhã ou lanchinho da tarde.

Aprovadas as escolhas, foi a vez de colocar o forno para aquecer e produzir com todo o cuidado algumas gostosuras. A aparência é importante e cuidar disso passou a ser uma distração. Pode ser uma forminha de papel diferente, um formato de corte do bolo pouco usado, coberturas coloridas e chamativas e assim por diante. O legal é se divertir e soltar a imaginação.

Prontos, quentinhos e embalados, é só dar seu toque pessoal – no meu caso uma etiqueta com uma marca que criei para os produtos com os quais presenteio meus amigos – e passar distribuindo.

Optei por deixar o presentinho na portaria da casa de cada um, pra que eles recebam com surpresa. O mais legal são as reações depois, e aí entra a minha parte egoísta. Acho que eu fiquei mais feliz em fazer esta delicadeza, que eles em receber.

Outra parte boa da história é que sempre sobra um ou outro pedaço que você pode aproveitar pra beliscar enquanto vê essa chuvarada toda pela janela...

Bolo de banana
Ingredientes:
- ½ xíc. de uva passa branca
- 6 col. (sopa) de whisky ou rum
- 1 xíc. mais 2 col. (sopa) de farinha de trigo
- 2 col. (chá) de fermento

- ½ col. (chá) de bicarbonato de sódio
- ½ col. (chá) de sal
- ½ xíc. de manteiga sem sal derretida
- ½ xíc. de açúcar
- 2 ovos grandes
- 4 bananas pequenas amassadas
- ¼ xíc. de castanha do Pará
- 1 col. (chá) de extrato de baunilha


Modo de Preparo:
Coloque em uma panela pequena as uvas de molho no rum ou whisky e aqueça até ferver. Remova do calor, cubra e deixe por uma hora se você tiver este tempo, ou até que as uvas tenham absorvido boa parte do líquido.

Pré-aqueça o forno a 160ºC. Coloque a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal em uma tigela média e, com as mãos ou colher de pau, misture bem.

Em outra tigela, esta maior, misture a manteiga derretida e o açúcar até ficar pálido. Acrescente os ovos, um de cada vez, e depois a banana. Depois, misture com uma colher de pau as uvas, extrato de baunilha e castanhas.

Adicione a mistura de farinha, 1/3 por vez, misturando bem cada parte.

Transfira para o refratário onde você vai assar o bolo (que é bom estar untado e coberto com papel manteiga, este também untado). Asse no meio do forno. Confira se está pronto colocando um palito no centro da forma. Ele tem que sair limpo. Isso deve levar em torno de 1 hora, mas depende muito do seu forno.